Desenvolvedora, responsável pelos eventos de LOL, desobrigou times a terem elenco de base, o que desagradou os gamers
A greve dos jogadores profissionais de League of Legends na América do Norte expôs a fragilidade da representatividade dos atletas em ligas de esportes eletrônicos com estrutura empresarial. Em entrevista, o especialista em direito esportivo e games Nicolas Bock analisou o conflito e suas implicações.
A origem da greve e o modelo empresarial
A greve, iniciada em 2023, decorre da decisão unilateral da liga norte-americana de League of Legends de eliminar a regra que obrigava os times da liga principal a manterem times de formação. Essa regra, implementada em 2017, visava garantir a formação de novos talentos, semelhante ao sistema de ligas universitárias em outros esportes americanos. A ausência de diálogo com a associação de jogadores gerou insatisfação e motivou a paralisação.
A importância da representatividade dos atletas
Bock destaca a diferença entre o modelo federativo, predominante no Brasil, e o modelo empresarial americano. No modelo federativo, os atletas têm maior representatividade, garantida por lei em casos de recebimento de verbas públicas. Já no modelo empresarial, a ausência de representatividade dos jogadores nos órgãos decisórios gera conflitos de interesse. A experiência da associação de jogadores de baseball nos EUA, sob a liderança de Marvin Miller (1966-1982), demonstra a importância da organização dos atletas para garantir seus direitos e evitar disputas judiciais.
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Consequências e negociações
A decisão da liga ameaça a existência da liga de formação, impactando cerca de 70 jogadores, treinadores e gerentes. A associação de jogadores exige a restauração da regra original e outras melhorias. As negociações estão em andamento, e o futuro da greve permanece incerto. O caso evidencia a necessidade de mecanismos de representatividade e diálogo para garantir a sustentabilidade e a justiça no ecossistema dos esportes eletrônicos.



