Sobre as influências do virtual na vida real, ouça a psicóloga Danielle Zeoti na coluna ‘CBN Comportamento’
Nesta sexta-feira, discutimos o comportamento de crianças e adolescentes, principalmente em relação aos jogos eletrônicos. Uma reportagem de São Paulo trouxe à tona um caso preocupante: o jogo Roblox, especificamente o mapa “Favela do Batata”, que simula atividades criminosas como assaltos, tráfico de armas e interações com a polícia.
Preocupações dos Pais
Pais relatam ter ficado assustados com o conteúdo do jogo. Um filho de 8 anos mencionou o PCC e descreveu tentativas de roubos e suborno de policiais. Outro, de 9 anos, detalhou como ganhava dinheiro no jogo cometendo assassinatos. A aparente inocência visual do jogo contrasta com as atividades perigosas que ele permite.
Roblox e a Responsabilidade
O Roblox é uma plataforma que permite a criação de jogos pelos próprios usuários. A “Favela do Batata” é um exemplo de conteúdo gerado por usuários, mostrando tiroteios, negociação de armas e menções a facções criminosas reais. Apesar da classificação indicativa para maiores de 12 anos (Google Play) e 13 anos (Apple Store), o jogo alcançou 48 milhões de usuários diários em 2022. A plataforma pode ser responsabilizada se receber denúncias e não tomar providências, enquanto os usuários podem ser responsabilizados por apologia ao crime.
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A Perspectiva de Especialistas
Especialistas alertam que a relação entre jogos violentos e comportamento agressivo em crianças e adolescentes é complexa. Atribuir a violência exclusivamente aos jogos é como culpar o termômetro pela febre; é preciso investigar as causas subjacentes. A violência é um fenômeno multidimensional, influenciado por fatores biológicos (histórico familiar, fatores neuroanatômicos), psicológicos (experiências de frustração, trauma) e sociais (ambiente violento). Jogos podem ser um problema se houver dependência, levando ao isolamento, baixo rendimento escolar e problemas de alimentação. No caso de crianças com transtornos mentais, como esquizofrenia, a confusão entre realidade e fantasia é uma preocupação adicional. A chave é o acompanhamento dos pais, interagindo com os filhos durante o jogo, sem julgar, para entender o real impacto dos games em suas vidas.
Em suma, a discussão sobre jogos violentos e comportamento infantil exige uma abordagem cuidadosa e multifacetada, considerando diversos fatores além do próprio jogo. A interação familiar e a busca por ajuda profissional, quando necessário, são fundamentais.