Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marco Guarizzo
O jornalista Vicente Alessio Filho, ex-morador da USP de Ribeirão Preto e perseguido pelo regime militar, compartilhou seu testemunho impactante com a Comissão da Verdade da OAB de Ribeirão Preto nesta sexta-feira. Seu relato lança luz sobre um período sombrio da história brasileira.
O Início da Perseguição
Alessio Filho recorda que a perseguição começou no início do período mais repressivo da ditadura militar, em 1969. Na época, ele era estudante universitário. O clima político era tenso, com muitos brasileiros buscando derrubar o regime. Sua prisão ocorreu em São Paulo, junto com o amigo Silvio Rego Rangel, sendo ambos levados para a sede da Operação Bandeirante.
Tortura e Investigação em Ribeirão Preto
Após dias de detenção em São Paulo, Alessio Filho e outros presos foram transferidos para Ribeirão Preto, onde a investigação se intensificou. O quartel da força pública local serviu como base para interrogatórios e tortura. Alessio Filho descreve o ambiente de terror e a brutalidade dos métodos utilizados, como o pau de arara, ressaltando a simplicidade com que se inflige sofrimento.
A Busca por Vínculos e a Anistia Negociada
As autoridades da época buscavam estabelecer ligações entre o grupo de Ribeirão Preto e figuras proeminentes da resistência, como Carlos Marighella e o Capitão Carlos Lamarca. A anistia política negociada durante a transição democrática é vista por Alessio Filho como uma “vergonha”, criticando a compensação financeira oferecida em troca do silêncio. Ele defende que o Estado deveria apenas reconhecer os fatos e identificar os responsáveis pela tortura.
O depoimento de Vicente Alessio Filho serve como um lembrete crucial da importância de preservar a memória histórica e garantir que os horrores da ditadura não sejam esquecidos.



