Júlia, que tem histórico de epilepsia, foi a quarta pessoa no Brasil a conseguir a liberação para se tratar com a substância
Aos 26 anos, Julia enfrenta a epilepsia desde os 11. A mãe da jovem, Elenice Ferreira Silva Machado, relata uma transformação notável na vida da filha após o início do tratamento com canabidiol, um medicamento à base de maconha. “Ela está utilizando uma dosagem mínima, por enquanto, e a gente já notou uma grande melhora”, afirma Elenice.
Redução Significativa nas Crises
Segundo Elenice, a frequência das crises epilépticas de Julia diminuiu drasticamente. “As crises passaram bastante, ela fica até 30, 35 dias bem. Antes, ela tinha episódios que precisavam de hospitalização. Desde 19 de setembro do ano passado, ela não precisou mais ir para o hospital nenhuma vez”, comemora a mãe.
A Batalha Judicial pelo Acesso ao Medicamento
O alto custo do medicamento, estimado em R$10 mil por mês, levou a família a buscar auxílio na justiça. “Em janeiro deste ano, recebemos uma liminar favorável do juiz. Mas somente atrásra recebemos uma autorização de compra para este mês. Não sabemos se teremos para o mês que vem”, explica Elenice. A advogada do caso, Gisélia Oliveira, ressalta a luta para garantir a continuidade do tratamento, que a família não tem condições de arcar.
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Canabidiol como Última Esperança
Gisélia Oliveira explica que Julia já possuía autorização da ANVISA para importação do medicamento desde 2015, para uso hospitalar. “Porém, como é um remédio ainda importado, e não fabricado no Brasil, o custo é muito alto. Nós não temos condições de suportar esse ônus”, relata. A advogada buscou o auxílio da Defensoria Pública Federal para que a União, o estado e o município fossem compelidos a custear o tratamento, considerado o único eficaz para Julia. “Já tentamos outros medicamentos, na rede pública e privada, sem sucesso. Esta ação foi muito significante, uma grande vitória”, completa.
O caso de Julia, que necessita de cerca de 12 tubos mensais do medicamento, a um custo aproximado de 200 dólares cada, representa um alívio em meio a um tratamento dispendioso. Segundo a advogada, esta pode ser a quarta ação desse tipo no país e a primeira na cidade de Franca.
A situação demonstra a importância do acesso a tratamentos inovadores para pacientes com condições complexas.



