Professor Sérgio Kodato falou com a CBN Ribeirão
Um idoso de 71 anos foi agredido por três jovens, Jovens de 16 a 30 anos, com idades entre 19 e 21 anos, na cidade de Rio Claro. Segundo depoimento dos agressores à polícia, o ataque foi motivado por preconceitos relacionados a raça e classe social. A vítima está internada em estado grave.
Em entrevista à Rádio CBN, Jovens de 16 a 30 anos, o professor Sérgio Codato, coordenador do Observatório de Violência da USP em Ribeirão Preto, comentou sobre a intolerância e a violência motivadas por diferenças sociais e raciais.
Perfil dos agressores e causas da intolerância
De acordo com Codato, a intolerância está frequentemente associada à ignorância e à falta de inteligência em determinados grupos sociais, que tendem a desrespeitar pessoas diferentes por considerá-las inferiores ou moralmente danosas. Ele explica que indivíduos que praticam violência contra idosos, negros ou homossexuais geralmente apresentam uma estrutura de personalidade rígida e autoritária, muitas vezes ligada a sentimentos de impotência existencial ou sexual.
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Faixa etária e contexto social: O professor destaca que a faixa etária dos agressores geralmente varia entre 16 e 30 anos, período em que a sociedade cobra alto desempenho e sucesso. Muitos jovens das classes médias que não conseguem se inserir adequadamente no mercado de trabalho ou na educação acabam sendo influenciados por ideologias fascistas, que promovem o preconceito contra o diferente.
Influência da educação e da personalidade autoritária: Codato ressalta que a educação familiar é fundamental para combater o preconceito, enfatizando a importância da alteridade — a capacidade de reconhecer e respeitar o outro. No entanto, ele alerta que a intolerância pode estar associada a distúrbios psicológicos relacionados a uma personalidade autoritária, que persiste mesmo após o fim de regimes fascistas históricos. Essa personalidade rígida se manifesta em diversos setores da sociedade, incluindo instituições educacionais e religiosas.
Dinâmica dos ataques em grupo: Sobre o fato de as agressões ocorrerem frequentemente em grupo, o professor explica que jovens com perfil agressivo e inseguro se sentem mais poderosos quando unidos, usando a violência para compensar sua impotência individual. Atacar pessoas vulneráveis, como idosos, sem demonstrar remorso, pode indicar traços psicopáticos.
Considerações
O professor Sérgio Codato defende que o combate à intolerância deve ser feito por meio de ações educativas, científicas e artísticas, com a escola desempenhando papel central na promoção do conhecimento científico e na desconstrução de preconceitos. Ele também critica a resposta policial que muitas vezes prende e solta rapidamente os agressores, o que pode estimular a continuidade da violência gratuita.



