Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello e Marisa Fernandes
A Fundação Casa, antiga Febem, continua a enfrentar desafios significativos na ressocialização de jovens infratores, quase oito anos após sua transformação. Apesar dos esforços e de alguns avanços, a instituição ainda lida com questões complexas que afetam o futuro desses adolescentes.
Modelo Concentrado: Uma Abordagem Questionável
Luiz Henrique Pacanhella, promotor da infância e juventude, critica o modelo adotado em Ribeirão Preto, que concentra várias unidades em um mesmo complexo. Segundo ele, essa estrutura se assemelha a um sistema penitenciário, comprometendo a eficácia da ressocialização. “Justamente pelo gigantismo, né? Acabam funcionando como um modelo penitenciário mesmo”, afirma Pacanhella, ressaltando que o jovem, ao retornar ao mesmo ambiente após o período de internação, enfrenta os mesmos desafios que o levaram ao crime.
Aperfeiçoamento Contínuo e Taxas de Recidência
Por outro lado, o juiz da infância e juventude, Paulo César Gentili, defende a Fundação Casa, destacando o constante aperfeiçoamento da instituição e os índices satisfatórios de ressocialização. Gentili aponta para a taxa de recidência de 12,8% em Ribeirão Preto, ligeiramente inferior à média estadual de 14%, como evidência do progresso. “A Fundação Casa é uma instituição que vem se renovando ao longo dos últimos 15 anos, teve saltos assim muito bons de qualidade”, argumenta.
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A Visão dos Jovens e a Falta de Oportunidades
A perspectiva dos jovens revela um cenário mais complexo. Um dos internos expressa a dificuldade de vislumbrar um futuro diferente, mencionando a falta de apoio e oportunidades como fatores que contribuem para o envolvimento com o crime. “Ah, aí eu já não sei, aí eu já não sei, porque mais tá essa vida aí, é febê, cadeia e morte”, desabafa o jovem, evidenciando a importância de um acompanhamento efetivo e de programas de profissionalização.
Embora existam diferentes perspectivas sobre a eficácia da Fundação Casa, a busca por soluções que promovam a ressocialização efetiva dos jovens infratores permanece um desafio constante.



