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Juíza e coordenadora do Anexo da Violência contra a Mulher analisa os casos de feminicídio na região

Duas mulheres foram assassinadas por ex-companheiros no último final de semana em Pontal e Miguelópolis
feminicídio na região
Duas mulheres foram assassinadas por ex-companheiros no último final de semana em Pontal e Miguelópolis

Duas mulheres foram assassinadas por ex-companheiros no último final de semana em Pontal e Miguelópolis

Dois casos de feminicídio chocaram a região no último final de semana. Em Pontal, Jéssica Silva, 28 anos, foi esfaqueada e morta pelo namorado, Pedro Henrique Vieira, 24, que confessou o crime e teve a prisão preventiva decretada. Em Miguelópolis, uma mulher de 53 anos foi morta a tiros pelo ex-marido, de 68 anos, que se suicidou em seguida.

O Machismo como Raiz do Problema

Para entender a profundidade do problema, conversamos com a juíza Carolina Moreira Gama, coordenadora do Anexo de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Ribeirão Preto. Ela destaca que o feminicídio está intrinsecamente ligado ao machismo cultural e estrutural, enraizado na sociedade há muito tempo. A juíza lembra que, até pouco tempo atrás, homens que matavam suas parceiras eram absolvidos sob a alegação de ‘legítima defesa da honra’. Combater isso exige uma mudança educacional estrutural, desconstruindo conceitos equivocados sobre feminismo e a luta das mulheres por igualdade de gênero.

O Momento Crítico e a Importância das Medidas Protetivas

A juíza aponta o momento do rompimento de uma relação como crítico, com alto risco de feminicídio. Muitos crimes ocorrem devido ao inconformismo do agressor com a separação ou por conflitos posteriores ao término. Dados revelam que mais de 80% das vítimas de feminicídio não haviam solicitado medidas protetivas. A juíza enfatiza a importância dessas medidas, além da necessidade de informar familiares, amigos e colegas de trabalho sobre elas, para que possam auxiliar a vítima em situações de risco.

Prevenção e Busca de Ajuda

A violência doméstica, segundo a juíza, costuma escalonar com o tempo. A recomendação é buscar ajuda desde os primeiros sinais de risco, incluindo violência psicológica. Em Ribeirão Preto, existem diversos serviços de apoio à mulher, como o NAIN (Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher), o projeto ECêmera (com acolhimento psicológico e profissionalizante) e o próprio Anexo de Violência Doméstica. A rede de saúde também está capacitada para lidar com esses casos. A busca por ajuda, por qualquer canal, é fundamental para garantir a segurança da mulher.

A entrevista reforça a urgência de combater o feminicídio por meio da conscientização, da mudança cultural e do acesso a medidas de proteção e apoio às mulheres em situação de risco.

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