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Junho Púrpura: mês é usado para debater o desafio da aprendizagem

Pediatra Ivan Savioli Ferraz aponta quais caminhos a gestão pública deve seguir para educar as crianças; ouça o 'Filhos e Cia'
Junho Púrpura: mês é usado
Pediatra Ivan Savioli Ferraz aponta quais caminhos a gestão pública deve seguir para educar as crianças; ouça o 'Filhos e Cia'

Pediatra Ivan Savioli Ferraz aponta quais caminhos a gestão pública deve seguir para educar as crianças; ouça o ‘Filhos e Cia’

A Sociedade de Pediatria de São Paulo lançou a campanha Junho Púrpura com o objetivo de conscientizar pais, Junho Púrpura: mês é usado para debater o desafio da aprendizagem, cuidadores, profissionais de educação e saúde sobre os transtornos de aprendizagem em crianças. Esses distúrbios são relativamente comuns e o reconhecimento precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e para o desenvolvimento acadêmico das crianças.

O pediatra e professor da USP, Dr. Ivânsaviole, explicou que os transtornos de aprendizagem costumam ser identificados inicialmente pelo pediatra, que atua como o primeiro profissional a perceber as dificuldades apresentadas pela criança. No entanto, o manejo desses casos geralmente requer uma equipe multidisciplinar, incluindo psicopedagogos, psicólogos e professores, para garantir um tratamento adequado.

Identificação dos transtornos de aprendizagem

Dr. Ivânsaviole destacou que é importante diferenciar se a dificuldade da criança está relacionada a um distúrbio específico ou se é apenas uma variação no ritmo de aprendizado. Para isso, o pediatra deve avaliar se o problema está no ambiente escolar, na criança ou em ambos. Além disso, deve-se observar se a dificuldade está restrita a uma área, como matemática, ou se existem outras dificuldades associadas, como atraso no desenvolvimento da fala ou da coordenação motora.

O pediatra também realiza exame físico para identificar possíveis sinais de síndromes genéticas que possam estar relacionadas ao atraso no desempenho acadêmico, como a síndrome de Down. Quando a dificuldade está restrita a uma área do aprendizado, como a leitura, pode-se tratar de um transtorno específico, como a dislexia.

Impacto da pandemia no aprendizado: Segundo o especialista, a pandemia de Covid-19 contribuiu para o aumento das queixas relacionadas a dificuldades de aprendizagem. O ensino remoto, muitas vezes realizado por meio de celulares e sem o suporte adequado, agravou problemas em crianças que antes não apresentavam dificuldades significativas. Além disso, houve um aumento nos transtornos de saúde mental, como ansiedade, que também podem afetar o desempenho escolar.

É importante diferenciar as causas das dificuldades, pois o tratamento para transtornos específicos de aprendizagem, como dislexia e discalculia, é diferente do tratamento para transtornos de ansiedade. No entanto, esses problemas podem coexistir, já que o sofrimento causado pela dificuldade em aprender pode gerar ansiedade na criança.

Tratamento e acompanhamento multidisciplinar: Dr. Ivânsaviole esclareceu que os transtornos de aprendizagem não têm cura, mas são tratáveis. Com o diagnóstico e o tratamento precoce, as crianças podem alcançar sucesso acadêmico e ter uma vida plena. Muitos adultos com dislexia, por exemplo, são intelectuais e artistas que foram adequadamente acompanhados durante a infância.

O tratamento envolve apoio médico, psicológico, familiar e escolar. A colaboração entre esses setores é fundamental para o desenvolvimento da criança. A escola, em especial, precisa estar preparada para oferecer o suporte necessário, o que nem sempre ocorre, principalmente na rede pública, onde a demanda é alta e os recursos são limitados.

Desafios no diagnóstico e atendimento: Apesar da maior visibilidade dos transtornos de aprendizagem, Dr. Ivânsaviole ressaltou que ainda há muitos desafios na abordagem desses casos. Muitas vezes, o diagnóstico é feito, mas o encaminhamento para tratamento enfrenta longas filas de espera devido à escassez de profissionais especializados.

Além disso, as escolas nem sempre dispõem de estrutura adequada para atender as necessidades específicas dessas crianças, o que pode comprometer o sucesso do tratamento e afetar a autoestima dos alunos. O especialista sugeriu que campanhas como a Junho Púrpura também busquem sensibilizar e capacitar a rede escolar para melhor acolher esses estudantes.

Entenda melhor

Transtornos específicos de aprendizagem, como dislexia e discalculia, são dificuldades persistentes em áreas específicas do aprendizado, como leitura e matemática, que não se explicam por fatores intelectuais, emocionais ou ambientais. O diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar são essenciais para minimizar os impactos na vida escolar e social da criança.

Já os transtornos de saúde mental, como ansiedade, podem afetar o desempenho escolar, mas requerem abordagens terapêuticas diferentes. A pandemia de Covid-19 evidenciou a importância de um olhar atento para a saúde mental infantil, pois o isolamento social e as mudanças no ensino agravaram esses quadros.

A atuação conjunta de pediatras, psicólogos, psicopedagogos, professores e familiares é fundamental para identificar, tratar e acompanhar as crianças com dificuldades de aprendizagem, garantindo seu desenvolvimento integral e seu bem-estar.

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