Grampos da Operação Sevandija mostram vereador negociando empregos no Daerp e pedindo apoio a chefe do tráfico de uma favela
A Operação Sevandija, desde seu início, expôs uma teia de acordos questionáveis envolvendo vereadores, secretários de governo, empresários e até a então prefeita de Ribeirão Preto, Darci Vera. As investigações do Ministério Público, anteriores às eleições, já apontavam para o envolvimento de diversos vereadores em esquemas de corrupção.
Reeleição Controvertida
Nas últimas eleições, dos nove vereadores citados na Operação Sevandija, apenas Capela Novas conseguiu se reeleger. No entanto, novas evidências divulgadas pelo Gaeco e pela Polícia Federal lançam sombras sobre sua reeleição. Áudios revelam Capela Novas solicitando um emprego para um apadrinhado a Marco Antônio dos Santos e, em outra conversa, buscando apoio de um suposto chefe do tráfico de uma favela local. Essas revelações podem agravar a situação do vereador, que já estava afastado da legislatura desde o início da operação.
Implicações Jurídicas
O jurista Roberto Reck explica que os crimes supostamente cometidos por Capela Novas, identificados na Operação Sevandija, podem levar à impugnação de sua posse na próxima gestão. “Essa situação é peculiar”, afirma Reck. “Primeiramente, a Justiça precisa apurar a veracidade das acusações. Se confirmadas, ele poderá responder ao processo legalmente.”
Reck detalha que Capela Novas pode enfrentar um recurso contra a diplomação, devido à sua reeleição e obtenção de votos suficientes. Caso seja diplomado, ele ainda pode ser alvo de uma ação de impugnação do mandato, o que o impediria de exercer o cargo de vereador.
O Processo de Diplomação e o Suplente
O jurista enfatiza que nenhum detentor de mandato eletivo pode tomar posse sem a diplomação. Se a Justiça considerar as acusações contra o vereador verdadeiras, ele enfrentará um recurso contra a diplomação. Reck acredita que, devido a uma ordem judicial anterior que o impede de certas atividades, Capela Novas pode não ser diplomado e, consequentemente, não poderá frequentar o ambiente público. O recurso contra a expedição da diplomação é uma ação judicial eleitoral prevista no artigo 262 do Código Eleitoral e deve ser proposto em até três dias após a sessão de diplomação. Caso Capela Novas seja cassado, o suplente de sua coligação assumirá o cargo.
O cenário político em Ribeirão Preto permanece tenso, aguardando os desdobramentos legais das acusações contra o vereador reeleito.



