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Justiça do trabalho pode parar por corte de gastos

Em Ribeirão Preto, por exemplo, audiências que demoravam em média seis meses estão sendo agendadas com um ano de antecedência
Justiça do trabalho
Em Ribeirão Preto, por exemplo, audiências que demoravam em média seis meses estão sendo agendadas com um ano de antecedência

Em Ribeirão Preto, por exemplo, audiências que demoravam em média seis meses estão sendo agendadas com um ano de antecedência

A morosidade da justiça brasileira é um problema conhecido, e recentes cortes no orçamento federal, próximos de 30%, acenam para um agravamento da situação. A lentidão processual, que já era uma preocupação, atrásra se intensifica, impactando diretamente trabalhadores e empresas.

Aumento da Demanda e Prazos Estendidos

A advogada trabalhista Manuela Pereira relata um aumento significativo no número de processos judiciais, impulsionado pela crise econômica e pelas demissões em diversos setores. Esse cenário sobrecarrega o sistema, estendendo os prazos para a marcação de audiências. O que antes era possível em quatro a seis meses, atrásra leva mais de um ano. Clientes que buscam seus direitos rescisórios enfrentam a frustração de esperar longos períodos para a primeira audiência.

Déficit de Servidores e Impacto nos Tribunais

A falta de servidores e juízes agrava ainda mais a situação, comprometendo o andamento dos processos. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), que abrange Ribeirão Preto, sofre com cortes orçamentários que afetam seu funcionamento. Medidas como a redução do horário de atendimento telefônico, a suspensão de contratação de estagiários e a não reposição de funcionários aposentados são reflexo dessa crise. Até mesmo investimentos em tecnologia, que visavam acelerar os processos, foram drasticamente reduzidos.

Medidas de Economia e Consequências

A juíza Marcia Cristina Sampaio Mendes, da coordenadoria de gestão compartilhada, destaca as medidas adotadas para reduzir gastos, como a diminuição do uso de ar-condicionado e energia. A não renovação de contratos, a suspensão de novas contratações e a redução de investimentos no processo eletrônico também são medidas que visam economizar recursos. Em Ribeirão Preto, a falta de criação de novas varas e a sobrecarga de trabalho nas existentes contribuem para o acúmulo de processos, com cerca de 4 mil travados em cada vara.

Diante desse panorama, a tendência é que a situação se agrave ainda mais, com impactos negativos para a sociedade e para a efetividade da justiça do trabalho.

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