Grupo chegava a faturar R$ 3 bilhões por ano com contrabando de eletrônicos e anabolizantes
A Operação Seleno, deflagrada em 2016, desmantelou um dos maiores esquemas de contrabando do Brasil, com foco na importação clandestina de anabolizantes e eletrônicos. Após dois anos de investigação, a Justiça Federal do Paraná condenou os líderes dessa organização criminosa, a maioria de Ribeirão Preto.
Lucros e Condenações
A quadrilha, extremamente organizada, utilizava aeronaves para o transporte de mercadorias e movimentou cerca de R$ 3 bilhões por ano. Até o momento, 50 pessoas foram condenadas em sete processos, com sentenças publicadas a partir de 2016, sendo a mais recente em 3 de julho de 2023. As penas somadas ultrapassam 500 anos de prisão.
Modus Operandi e Extensão da Rede
O esquema envolvia pousos em pistas clandestinas no interior de São Paulo, principalmente na região de Ribeirão Preto. As mercadorias eram rapidamente escoadas para entrepostos em São Paulo e, posteriormente, distribuídas aos clientes finais. A organização criminosa possuía quatro núcleos atuando no Paraguai e nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, realizando cerca de 585 voos clandestinos com pelo menos 12 aeronaves. A Polícia Federal apreendeu seis aeronaves na região de Ribeirão Preto, cada uma com capacidade para transportar cerca de 600 kg de mercadorias (valor estimado em US$ 500 mil por frete).
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Confisco de Bens e Impacto Financeiro
O esquema de contrabando causou prejuízos milionários aos cofres públicos. Foram confiscados bens dos envolvidos, incluindo 12 aeronaves, 63 veículos, 26 imóveis, além de dinheiro, joias e cavalos de raça. O valor mínimo estimado para reparar os danos à União ultrapassa R$ 115 milhões em impostos deixados de arrecadar. Apesar de tentativas de contato, os advogados dos condenados na região não se manifestaram.
A desarticulação da quadrilha representou um golpe significativo contra o crime organizado, interrompendo o fluxo de produtos contrabandeados, incluindo anabolizantes sem prescrição médica, e protegendo a saúde pública. A operação destaca a importância da cooperação entre diferentes órgãos de segurança para combater o crime transnacional.



