Uma decisão da Justiça determinou a suspensão do atendimento de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto. A medida pegou pacientes e profissionais de saúde de surpresa, já que a unidade também recebia demandas de municípios da região.
Com a determinação, pacientes que seriam encaminhados à Beneficência Portuguesa passaram a ser direcionados para o Hospital das Clínicas (HC), a Santa Casa de Ribeirão Preto e o Hospital Santa Lídia. A estimativa é de que mais de 30 pessoas por dia sejam redistribuídas a partir das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município.
Apesar da suspensão no pronto atendimento SUS, o hospital segue realizando atendimentos eletivos, como consultas, cirurgias, internações e procedimentos ambulatoriais.
Rede sobrecarregada
A decisão judicial gerou alerta imediato sobre o risco de superlotação nos hospitais que absorveram a nova demanda. O professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, José Sebastião dos Santos, avalia que a medida busca garantir segurança e qualidade no atendimento à população.
Segundo ele, manter pacientes em corredores e em estruturas inadequadas pode expor pessoas a riscos adicionais, inclusive pela falta de condições logísticas e de equipes suficientes para executar prescrições médicas de forma adequada.
Leia também
O professor também destacou a importância de uma triagem mais qualificada e de um sistema de regulação mais eficiente, evitando que casos que poderiam ser atendidos de forma eletiva ocupem vagas destinadas a urgência e emergência.
Estratégias emergenciais
O secretário municipal de Saúde de Ribeirão Preto, Maurício Godinho, afirmou que a lotação dos hospitais já é uma realidade e que reuniões foram realizadas com a Diretoria Regional de Saúde (DRS) e as unidades hospitalares para definir estratégias de enfrentamento.
Entre as medidas discutidas estão a regulação mais qualificada dos pacientes, o direcionamento conforme o nível de complexidade de cada hospital, além da adoção de altas precoces e reorganização dos fluxos internos para reduzir a sobrecarga.
Godinho também explicou que a decisão judicial prevê um prazo de 90 dias para que a Beneficência Portuguesa realize as adequações apontadas. Caso as exigências sejam cumpridas e haja liberação judicial, o hospital poderá retomar o atendimento de urgência e emergência pelo SUS.
Posição dos hospitais
Em nota, a Santa Casa de Ribeirão Preto informou que participou das reuniões com a Secretaria Municipal de Saúde e a DRS e manifestou preocupação com os impactos da decisão sobre a organização da rede de saúde, ressaltando que já opera em cenário de elevada lotação assistencial.
O Hospital das Clínicas afirmou que manterá o atendimento à rede de urgência e emergência, mesmo diante da possibilidade de aumento da demanda.
Já a Beneficência Portuguesa esclareceu que a suspensão decorre da necessidade de adequações estruturais no setor de pronto atendimento SUS. O hospital informou que possui projeto arquitetônico aprovado pela Vigilância Sanitária e aguarda recursos para viabilizar as obras, reforçando que os demais atendimentos permanecem em pleno funcionamento.



