Composto de fosfoetanolamina será levado para São Paulo, onde será testado em mil pacientes com a doença
Após um período de intensas discussões, controvérsias e expectativas, a presidente Dilma Rousseff autorizou a produção, venda e uso da fosfoetanolamina sintética, popularmente conhecida como a “pílula do câncer”. A decisão marca um novo capítulo na saga dessa substância que promete revolucionar o tratamento oncológico no Brasil.
Produção Inicial Destinada a Testes Clínicos
A primeira leva de produção da fosfoetanolamina terá um destino específico: o Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP). Lá, a substância será submetida a rigorosos testes em humanos, etapa crucial para determinar sua eficácia e segurança. Para muitos pacientes e familiares, essa notícia representa um raio de esperança em meio a um cenário desafiador.
Ilde Pio Martins Filho, que possui um familiar enfrentando o câncer, expressou seu anseio por informações diretamente do laboratório em Cravinhos, responsável pela produção inicial. “Vamos aguardar que eles fabriquem e passem para o laboratório, e aí vamos aguardar o laboratório e distribuir os pontos de venda. Então, por enquanto, a notícia boa é que já vai produzir. Vamos aguardar atrásra os políticos liberarem, as autoridades liberarem para que seja fornecido às farmácias, aos hospitais, para que seja às pessoas que necessitam o uso”, declarou.
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Logística de Produção e Distribuição
De acordo com Renata Simões, farmacêutica do laboratório em Cravinhos, a primeira remessa do material estará pronta para encapsulamento pela Fundação do Remédio Popular (Furp) em aproximadamente duas semanas. “Aqui o nosso laboratório vai produzir a matéria prima. Esta matéria prima vai ser destinada à Fundação do Remédio Popular, que é a Furp. Lá vai passar pelo processo de encapsulamento, onde vai colocar essa matéria prima dentro da cápsula e de lá já vai ser destinada ao Instituto do Câncer de São Paulo, onde vai ser distribuído aos pacientes para o processo de pesquisa clínica”, explicou.
Aspectos Legais e Regulatórios
Sérgio Peruzzi, proprietário do laboratório, ressalta que a substância não deve ser comercializada como um medicamento convencional. “Ela, neste caso, desde que produzido por uma empresa aprovada pela Anvisa, ela poderá ser vendida segundo o entendimento que a gente tem ainda muito recente da lei de que sob prescrição médica e de acordo com uma aceitação pelo próprio paciente de que ele estará tomando uma substância ainda não aprovada pela Anvisa. Então dentro dessas características, a lei autorizando, nós poderemos fornecer”, afirmou. A lei sancionada exige indicação médica e um termo de responsabilidade assinado pelo paciente para a aquisição da fosfoetanolamina.
A fosfoetanolamina é um composto naturalmente presente no organismo de mamíferos e, em sua forma sintética, produzida pela USP, teoricamente auxilia o sistema imunológico a identificar e eliminar células tumorais. O investimento total para os testes clínicos é de aproximadamente R$ 10 milhões, com acompanhamento contínuo dos pacientes por uma equipe multidisciplinar do ICESP.
A liberação da substância, no entanto, gera preocupações na Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) e na Anvisa, devido à falta de garantias de eficácia e segurança. Além disso, o Conselho Regional de Medicina orienta os médicos a não prescreverem o composto, sob risco de sanções.
O futuro da fosfoetanolamina e seu impacto no tratamento do câncer no Brasil ainda são incertos. Os testes clínicos no ICESP serão determinantes para comprovar sua eficácia e segurança, pavimentando o caminho para sua possível incorporação ao arsenal terapêutico contra o câncer.



