Objetivo é identificar, mapear a cadastrar o perfil dos pets; Gelson Genaro comenta sobre a importância dessas políticas
O poder legislativo de Ribeirão Preto aprovou em maio um projeto de lei que institui o censo animal na cidade, Legislativo de Ribeirão aprova projeto de lei que cria ‘censo animal’, uma iniciativa que visa mapear e cadastrar a população de cães e gatos para orientar políticas públicas voltadas à saúde e bem-estar desses animais.
Segundo o veterinário Dr. Gelson Genaro, o censo funcionará como um “IBGE dos animais”, permitindo a obtenção de dados precisos sobre o número de pets na cidade. Atualmente, a estimativa oficial, baseada em dados do Ministério da Saúde, indica que entre 10% e 20% da população humana corresponde à população animal, o que resultaria em uma faixa entre 70 mil e 140 mil cães e gatos em Ribeirão Preto. No entanto, esses números não são exatos, especialmente no caso dos gatos, que muitas vezes vivem em situação de abandono e são difíceis de contabilizar.
Importância do censo para políticas públicas
O levantamento detalhado da população animal é fundamental para direcionar recursos e ações, como campanhas de castração e vacinação. Na semana anterior, a prefeitura abriu 400 vagas para castração de cães e 100 para gatos, mas a definição desses números carecia de dados mais precisos, que o censo pretende fornecer.
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Além disso, o censo auxiliará na gestão de futuras iniciativas, como o hospital veterinário municipal previsto para 2024 ou 2025, que oferecerá atendimento gratuito à população de baixa renda. Com informações mais detalhadas, será possível ajustar a oferta de serviços conforme a demanda real, por exemplo, aumentando o número de castrações para gatos caso sua população seja maior do que a estimada.
Castração: métodos e importância: Em resposta a questionamentos de ouvintes, Dr. Genaro explicou que, embora existam métodos de castração química, a técnica cirúrgica tradicional é a mais eficaz tanto para impedir a reprodução quanto para prevenir doenças futuras, como tumores nos órgãos reprodutivos e câncer de mama nas fêmeas. A castração envolve a remoção dos testículos nos machos e dos ovários, trompas e útero nas fêmeas.
O veterinário ressaltou a importância de castrar ambos os sexos, pois a presença de um único macho não castrado pode resultar na reprodução de todas as fêmeas da região. Além de controlar a população, a castração contribui para a qualidade de vida dos animais, que tendem a viver mais e com menos riscos, como brigas e doenças transmissíveis.
Desafios para o censo de animais de rua
Um dos principais desafios do censo será contabilizar os animais de rua, que não possuem tutores e vivem em condições variadas. Dr. Genaro explicou que os animais podem ser classificados em três grupos: domiciliados (que vivem exclusivamente dentro de casa), semi-domiciliados (que têm casa, mas circulam pelas ruas) e não domiciliados (animais de rua).
Para estimar a população desses animais, serão adotadas estratégias específicas, como a divisão da cidade em bairros para monitoramento, visitas a residências e pontos conhecidos de abandono. Organizações não governamentais também colaborarão com o levantamento, que exigirá um trabalho minucioso e contínuo para garantir a precisão dos dados.
Entenda melhor
O censo animal é uma ferramenta essencial para a formulação de políticas públicas eficazes, garantindo que os recursos destinados à saúde e bem-estar dos animais sejam aplicados de forma adequada e proporcional à demanda real. Além disso, a castração é uma prática recomendada não apenas para controle populacional, mas também para a prevenção de doenças e aumento da longevidade dos pets.