Objetivo é que usuários do transporte coletivo possam desembarcar em locais seguros durante a noite; Ribeirão tem lei semelhante
Em Araraquara, uma nova lei busca trazer mais segurança para as mulheres que utilizam o transporte público noturno. A medida, já em vigor, permite que passageiras desembarquem dos ônibus em qualquer ponto do trajeto após as 22h, mesmo que não haja um ponto de parada oficial no local.
O Medo Noturno e a Busca por Segurança
Usuárias do transporte público relatam que a preocupação com a segurança tem aumentado, especialmente durante a noite. A possibilidade de desembarcar em locais mais próximos de suas residências é vista como um alívio. “Eu posso descer onde eu quero, atrásra ficou bom. É mais segurança sair do trabalho, estando tarde”, comenta uma passageira.
A sensação de insegurança é intensificada pela presença de pessoas em situação de rua e pela violência urbana. “Tem muito andarilho, a gente não conhece as pessoas, às vezes eles abordam. Depende do lugar que a gente desce, tipo é muito escuro, é perigoso, porque a cidade também está bem violenta”, relata outra usuária.
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A Lei da Parada Segura: Como Funciona
A lei, apelidada de “Parada Segura”, foi aprovada pela Câmara Municipal e determina que, após as 22h, os motoristas devem atender aos pedidos de desembarque das passageiras em qualquer ponto do itinerário. Segundo o Comandante da Sessão Operacional da Polícia Militar, Richard Braga de Oliveira, a medida visa reduzir o tempo de deslocamento a pé, diminuindo as chances de abordagens.
A vereadora Edna Martins, autora da lei, justifica a iniciativa com o aumento da violência urbana, especialmente roubos e estupros, que afetam diretamente as mulheres. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado indicam que, no ano passado, foram registrados 55 estupros e 455 roubos em Araraquara.
Inclusão de Todos ou Proteção Específica?
Apesar do foco na segurança feminina, a lei gerou debates sobre a possibilidade de estender o benefício a todos os usuários do transporte público. O estudante Allison Lima, que utiliza o ônibus para voltar do cursinho pré-vestibular à noite, argumenta que a sensação de medo e insegurança é comum a todos. “Qualquer um corre o perigo de sofrer um assalto, então, eu acho que deveria ser para todos essa lei, não justificar só para menina”, afirma.
A lei foi sancionada e publicada no Diário Oficial da Cidade, entrando em vigor imediatamente. Uma lei semelhante já está em vigor em Ribeirão Preto.
A iniciativa representa uma tentativa de adaptar o serviço de transporte público às necessidades de segurança da população, especialmente em horários de maior vulnerabilidade.



