Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
Uma recente medida governamental visou amparar famílias em situação de vulnerabilidade que ocupam terras no estado, com a promessa de fortalecer a agricultura familiar, diversificar a produção e aumentar a segurança dessas comunidades. No entanto, especialistas questionam a efetividade e o alcance real dessa iniciativa.
A Falta de Planejamento Estruturado
Críticos argumentam que a medida se assemelha a um paliativo, carecendo de um planejamento estruturado dentro de um programa mais amplo. A falta de uma política de Estado consistente, que promova o desenvolvimento da nação e a evolução de setores produtivos, é apontada como um problema central. Projetos governamentais frequentemente são descontinuados, atrelados ao mandato de gestores específicos, sem uma visão de longo prazo.
Crédito e Análise Regional: Elementos Essenciais
A simples posse da terra não garante o desenvolvimento dessas famílias. É crucial o acesso a crédito e uma análise criteriosa da vocação agrícola de cada produtor e da realidade de cada região. Sem esses elementos, a iniciativa corre o risco de não alcançar os resultados esperados.
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A Necessidade de Políticas de Estado Duradouras
A última política de Estado que realmente impulsionou o agronegócio no Brasil remonta a 1973, com a criação da Embrapa. Desde então, ações pontuais e desconectadas têm sido a norma, sem a continuidade necessária para gerar impacto significativo. A ausência de coordenação entre as ações governamentais onera o Estado, desperdiça recursos e gera descontentamento entre os produtores.
A Coordenação como Chave para o Sucesso
A falta de coordenação entre as atividades é um problema recorrente. Projetos são lançados isoladamente, sem uma visão integrada e um foco claro em resultados. A duração limitada desses programas, muitas vezes atrelada a períodos eleitorais, impede a consolidação de seus benefícios e compromete o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas.
Embora a intenção seja louvável, a efetividade da medida depende de um planejamento mais abrangente e de uma política de Estado consistente, que garanta a continuidade e a coordenação das ações em prol do desenvolvimento da agricultura familiar.