Leptospirose avança com alta letalidade e alerta cresce no período de chuvas
O aumento dos casos de leptospirose no Brasil tem gerado preocupação em todo o país. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, foram registrados 3.792 casos confirmados e mais de 250 óbitos, resultando em uma taxa de letalidade de aproximadamente 9%. Em São Paulo, a situação é ainda mais alarmante, com uma média estadual de letalidade de 14%, e alguns municípios do interior apresentando índices superiores a 22%. Mesmo em Ribeirão Preto, onde os números são menores, o alerta permanece, com 3 casos confirmados até outubro de 2025, após 4 casos no ano anterior. Com a chegada do período chuvoso, o risco de infecções aumenta, especialmente em áreas sujeitas a alagamentos e acúmulo de lixo.
Transmissão e Cenário Urbano
Para entender melhor o cenário, conversamos com o infectologista Dr. Ulisses Strogoff, que explicou que a transmissão da leptospirose ocorre pela urina de ratos contaminados. Estruturas sanitárias inadequadas, enchentes e coleta de lixo ineficiente contribuem para a proliferação da doença em áreas urbanas. A falta de escoamento adequado de água e esgoto, juntamente com o controle insuficiente de roedores, cria um ambiente propício para a disseminação da bactéria. Dr. Strogoff ressalta que a persistência desses problemas mantém o cenário preocupante, com a população constantemente exposta à água contaminada.
Diagnóstico e Notificação
Estudos recentes apontam para uma subnotificação significativa da leptospirose no Brasil. Dr. Strogoff destaca que a contaminação ocorre frequentemente em situações de alagamento, especialmente quando há contato com lama. Ele enfatiza a importância de evitar o contato com água de chuva ou esgoto, utilizando proteção como botas, e procurar atendimento médico ao apresentar sintomas como febre, dor de cabeça e vômitos, informando sobre a possível exposição. O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento com antibióticos são cruciais para evitar casos mais graves.
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Grupos Vulneráveis e Prevenção
A população mais vulnerável à leptospirose é aquela que reside em áreas periféricas, onde os alagamentos são mais frequentes e o saneamento básico é precário. Dr. Strogoff cita o exemplo da região da Vila Lucchese em Ribeirão Preto, que sofre com o refluxo de esgoto em períodos de chuva. Ele ressalta a importância da limpeza das residências após alagamentos, bem como a necessidade de monitoramento e controle da leptospirose por parte do poder público. A prevenção, semelhante à da dengue, envolve o cuidado com o quintal e a casa, evitando a proliferação de ratos.
A conscientização sobre os riscos e a importância da prevenção são essenciais para mitigar o impacto da leptospirose na população.


