Alto preço dos condomínios, falta de manutenção nos imóveis… arquiteta Rose Borges de Melo elenca os fatores da ‘debandada’
Uma pesquisa realizada por alunos de arquitetura da Unaerp revelou um cenário preocupante: o centro de Ribeirão Preto apresenta um número significativamente maior de imóveis vazios e disponíveis para locação em comparação a outras áreas da cidade.
Imóveis Vazios no Centro: Dados e Análises
O estudo, focado nos quarteirões entre as ruas 9 de Julho, Independência, Francisco Junqueira e Gerônimo Gonçalves, utilizou dados do IBGE, informações de três imobiliárias locais e relatórios da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano. A análise de dados desde 2017 apontou uma tendência consistente de esvaziamento, contrariando a hipótese inicial de que a pandemia fosse o único fator contribuinte. A pesquisa indica que a falta de procura por imóveis no centro é uma questão estrutural.
Fatores que Contribuem para o Esvaziamento
A professora Rose Elane Borges de Mello, orientadora da pesquisa, destaca a expansão imobiliária em outras regiões da cidade, impulsionada por investimentos em infraestrutura e equipamentos urbanos, principalmente no sul, sudeste e leste. A qualidade de vida, segurança e oferta de espaços públicos como praças e parques, mais presentes nestas áreas, atraem moradores e impulsionam a procura por imóveis. Em contraponto, o centro de Ribeirão Preto carece de investimentos em espaços públicos, resultando em falta de atratividade.
Além da falta de infraestrutura, o alto custo de condomínio em prédios antigos do centro, que necessitam de reformas e modernizações, também contribui para o esvaziamento. A professora ressalta a importância da preservação do patrimônio histórico e cultural da região central, incentivando a requalificação de imóveis antigos para torná-los mais atrativos. Como exemplo positivo, cita a revitalização da biblioteca municipal, que resultou em um aumento significativo no uso do espaço.
A pesquisa está em andamento, com uma segunda fase dedicada à análise do comércio e da prestação de serviços no centro. Os pesquisadores pretendem compartilhar os resultados com a comunidade, a Associação dos Moradores do Centro (AMC) e o poder público, buscando um diálogo que leve a soluções para os problemas identificados. A preocupação com o futuro do centro de Ribeirão Preto é compartilhada por moradores e entidades, demonstrando a importância da pesquisa e a necessidade de ações conjuntas para revitalizar a região.



