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Levantamento aponta que quase 10 mil famílias vivem em condições precárias em Ribeirão Preto

Especialista cobra políticas públicas voltadas à habitação para melhor abrigar a população
famílias em situação precária
Especialista cobra políticas públicas voltadas à habitação para melhor abrigar a população

Especialista cobra políticas públicas voltadas à habitação para melhor abrigar a população

A arquiteta e urbanista Vera Lúcia Blat Miliorini concedeu entrevista à CBN Ribeirão Preto para discutir a preocupante realidade da falta de moradia popular na cidade. Dados de 2019 apontam cerca de 9.700 famílias em 87 assentamentos precários, um aumento significativo em relação aos 2.500 habitantes em 19 núcleos de favelas em 1994.

Causas do crescimento da favelização

O crescimento da favelização em Ribeirão Preto é multifatorial. Inicialmente, a migração de trabalhadores para o corte de cana, impulsionada pela chamada “Califórnia brasileira”, contribuiu para a formação dos primeiros núcleos. Posteriormente, o boom da construção civil, a partir de 2012, atraiu mão de obra de outros estados, que muitas vezes se alojavam de forma improvisada, criando novos assentamentos. A crise econômica dos últimos anos agravou a situação, com muitas famílias perdendo a capacidade de pagar aluguel e se juntando aos assentamentos.

Políticas públicas e seus desafios

As políticas públicas para habitação em Ribeirão Preto têm se mostrado insuficientes. A arquiteta critica a ênfase na remoção de famílias de áreas de risco, sem um acompanhamento social e econômico adequado. Muitas vezes, as famílias removidas acabam retornando aos assentamentos precários devido à falta de inserção social e econômica nos novos locais. Miliorini destaca que programas de urbanização dos assentamentos existentes são mais eficazes e baratos do que remoções, mas são pouco investidos. A falta de regularização fundiária e o uso de áreas de risco, mesmo após remoções, também são problemas recorrentes. A precariedade da infraestrutura, como a má execução de obras de drenagem, agrava ainda mais a situação de algumas comunidades, como a comunidade da Locomotiva.

Soluções e perspectivas

Vera Lúcia Miliorini aponta os lotes urbanizados como uma solução viável, desde que acompanhados por assistência técnica para auxiliar os moradores na construção de suas casas. A participação de universidades e conselhos de arquitetura e urbanismo na prestação de assistência técnica é fundamental, mas enfrenta obstáculos burocráticos. Materiais de construção mais baratos, como os de recicláveis, também são uma alternativa, mas ainda não são amplamente acessíveis. A arquiteta enfatiza a necessidade de priorizar o ser humano nas políticas públicas de habitação para que soluções efetivas sejam encontradas. A falta de um censo demográfico completo dificulta a compreensão do perfil da população em situação de vulnerabilidade e a implementação de políticas públicas adequadas. A complexidade da situação exige criatividade e uma abordagem integrada para superar os desafios da falta de moradia em Ribeirão Preto.

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