CBN Ribeirão 90,5 FM
Colunistas
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe

Levantamento aponta queda na produção da safra de laranja como consequência da estiagem

Pesquisa do Fundecitrus estima produção de 215 milhões de caixas, queda de 16 milhões em comparação ao estimado em maio
Queda na produção da safra
Pesquisa do Fundecitrus estima produção de 215 milhões de caixas, queda de 16 milhões em comparação ao estimado em maio

Pesquisa do Fundecitrus estima produção de 215 milhões de caixas, queda de 16 milhões em comparação ao estimado em maio

A estiagem e as altas temperaturas registradas no início da safra impactaram diretamente a produção de laranja no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro, Queda na produção da safra de laranja como consequência da estiagem, reduzindo a estimativa da safra em 7%. O primeiro levantamento divulgado pelo Fundo de Citros aponta uma produção prevista de 215 milhões de caixas, o que representa uma diminuição de 16 milhões de caixas em relação à estimativa feita em maio.

Impactos climáticos na produção: De acordo com Guilherme Rodrigues, engenheiro agrônomo e supervisor de projetos do Fundo de Citros, a redução na produção está relacionada ao menor tamanho dos frutos, consequência do clima quente e seco. As chuvas ficaram bem abaixo da média histórica nos primeiros quatro meses da safra, enquanto as temperaturas elevadas agravaram a severidade da seca. Essa combinação prejudicou o crescimento dos frutos e acelerou o rendimento da colheita.

“Nós já temos 45% da safra colhida, enquanto em anos anteriores esse número era de 30%. Em meados de atrássto, cerca de 45% da safra já estava colhida, quando a média histórica para esse período é de aproximadamente 30%”.

Além disso, o tamanho médio dos frutos diminuiu de 169 gramas para 155 gramas, o que aumentou a quantidade necessária para compor uma caixa de 40 quilos. Agora são necessários 264 frutos por caixa, 23 laranjas a mais do que o projetado em maio.

Antecipação da colheita e controle do greening

Apesar da redução na produção, especialistas apontam um aspecto positivo no cenário atual: a antecipação da colheita ajudou a reduzir as perdas causadas pelo greening, uma doença que afeta as plantas cítricas. Segundo o pesquisador Renato Bassanesi, essa melhora está relacionada à eliminação de plantas doentes e ao rigor nas medidas de manejo.

“A primeira é a melhoria do manejo e controle do inseto que transmite a doença, principalmente em relação à frequência de aplicações de inseticidas, uso de moléculas mais eficazes e rotação de inseticidas com pelo menos três ou quatro modos de ação diferentes. Isso foi fundamental para evitar a transmissão da doença pelos insetos”.

Além disso, as altas temperaturas podem ter influenciado a redução da transmissão da doença, especialmente nas regiões centro, norte e noroeste do cinturão citrícola. O calor acelerou a maturação das brotações, deixando-as menos expostas à infecção pelo psilídeo, inseto transmissor da bactéria causadora do greening. A multiplicação da bactéria também foi afetada, reduzindo sua presença e, consequentemente, a transmissão da doença.

“Outro motivo que pode ter influenciado bastante foram as altas temperaturas que afetaram tanto a velocidade de maturação da brotação, deixando essa maturação menos exposta à infecção pelo psilídeo, mas também na multiplicação da bactéria, tendo menos bactéria, o psilídeo adquire menos a bactéria e transmite menos a doença”.

Além disso, houve um aumento na erradicação de plantas doentes em regiões muito afetadas, como Limeira e Brotas, enquanto em áreas menos afetadas, como o Vale do Paraíba e Triângulo Mineiro, houve aumento no plantio.

Desafios e recomendações para o futuro: Apesar da queda na produção, o número de plantas afetadas pelo greening ainda é considerado preocupante. Especialistas alertam para a importância de manter o manejo adequado para reduzir ainda mais a incidência da doença no futuro.

O Fundo de Citros e os pesquisadores reforçam que o controle rigoroso do psilídeo por meio de aplicações frequentes e rotativas de inseticidas, a erradicação de plantas doentes e o monitoramento constante são medidas essenciais para a sustentabilidade da citricultura na região.

Contexto da safra atual: A antecipação da colheita, embora tenha ajudado a reduzir perdas, também reflete as condições adversas enfrentadas pela citricultura. A combinação de estiagem prolongada e altas temperaturas tem alterado o ciclo natural das plantas, exigindo adaptações no manejo agrícola para minimizar os impactos.

O cenário atual reforça a necessidade de estratégias integradas que considerem as variabilidades climáticas e as práticas de manejo fitossanitário para garantir a produtividade e a qualidade da produção de laranja no cinturão citrícola.

Entenda melhor

O cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro é a principal região produtora de laranja do Brasil. O greening, ou HLB (Huanglongbing), é uma doença bacteriana transmitida pelo psilídeo, que causa danos severos às plantas cítricas, afetando a produção e a qualidade dos frutos. O manejo integrado da doença inclui controle do inseto transmissor, erradicação de plantas doentes e uso de inseticidas com diferentes modos de ação para evitar resistência.

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.