Estudo analisou mais de 8.200 mortes nos municípios entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022
Um levantamento da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo revelou dados preocupantes sobre a mortalidade por coronavírus. Entre dezembro de 2022 e fevereiro de 2023, o estudo analisou mais de 8.200 óbitos em municípios paulistas, constatando uma diferença significativa entre vacinados e não-vacinados.
Mortes por Covid-19: Vacinação e suas consequências
A pesquisa apontou que a taxa de mortalidade entre indivíduos não-vacinados foi quase 26 vezes maior do que entre aqueles com o esquema vacinal completo (duas doses). Foram registradas 332 mortes por 100 mil habitantes entre os não-vacinados, contra apenas 13 óbitos na mesma proporção entre os completamente imunizados. A taxa de óbitos em indivíduos com apenas uma dose da vacina foi quase 70% maior do que em quem havia completado o esquema vacinal.
A Importância da Vacinação Completa contra a Ômicron
De acordo com Rodrigo Stabile, pesquisador e diretor da Fiocruz, o estudo reforça a importância crucial da vacinação completa, mesmo considerando a emergência de novas variantes. Os meses analisados (dezembro a fevereiro) coincidiram com o pico de transmissão da variante Ômicron no Brasil. O sequenciamento genético confirmou que mais de 95% das infecções fatais nesse período foram causadas por essa variante. Stabile destaca que a vacinação completa com duas doses ofereceu proteção significativa contra casos graves e óbitos por Ômicron, e provavelmente também contra outras variantes, como a Delta.
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Novas Variantes e o Cenário Atual
A entrevista abordou também o surgimento de novas variantes, como a Deltacrôn (uma combinação de Delta e Ômicron). Embora tenha sido identificada, a Deltacrôn não demonstrou, até o momento, causar um aumento significativo de casos ou gravidade da doença. A situação epidemiológica na China, com um novo surto de Ômicron e medidas de lockdown, e a experiência da Dinamarca, que declarou a Covid-19 como endemia, foram mencionadas como fatores relevantes para monitorar a evolução da pandemia. O acompanhamento contínuo da situação e das novas variantes é fundamental para a tomada de decisões e estratégias de saúde pública.



