Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
Um levantamento recente da Escola de Enfermagem da USP em Ribeirão Preto revelou um perfil preocupante entre os portadores de HIV na região: pessoas acima dos 40 anos, solteiras, sem parceiro fixo e com ensino fundamental incompleto. Esse cenário diverge do perfil nacional, que aponta para um aumento de casos entre jovens de 15 a 24 anos com acesso à educação, conforme dados do Ministério da Saúde.
Disparidade entre Cenários Nacional e Local
Aline Andrade, pesquisadora da Escola de Enfermagem, destaca a diferença entre o que se observa em Ribeirão Preto e o panorama nacional. Os dados da pesquisa foram coletados a partir do acompanhamento de pacientes no ambulatório especializado em DST/HIV/Aids do município. É importante ressaltar que esse perfil pode não refletir a totalidade da população infectada, já que exclui aqueles que ainda não estão em tratamento. A pesquisa também apontou um aumento de casos entre mulheres, inclusive aquelas em união estável, demonstrando que a estabilidade em um relacionamento não garante proteção contra o vírus.
A Despreocupação e a Falta de Prevenção
A pesquisa revelou que muitas mulheres esperam que seus parceiros tomem a iniciativa na prevenção. Além disso, muitos dos entrevistados descobriram a infecção por acaso, ao procurarem atendimento médico para outros problemas de saúde, como perda de peso, diarreias e tuberculose. A maioria dos casos de contágio ocorreu por via sexual, evidenciando a falta de prevenção como principal causa. A pesquisadora Aline Andrade ressalta que a falta de informação e a percepção de que a doença está controlada contribuem para a vulnerabilidade da população.
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Impacto e Ações Preventivas
O levantamento serve como base para o desenvolvimento de ações de prevenção e acompanhamento na rede municipal de saúde. A Secretaria de Saúde tem intensificado campanhas de diagnóstico oportuno, levando testes para locais públicos como praças, buscando alcançar diferentes públicos e classes sociais. A conscientização e a prevenção continuam sendo as principais armas contra a disseminação do HIV.
A pesquisa reforça a necessidade de um olhar mais atento e sério para a prevenção, desmistificando a ideia de que o HIV/Aids é um problema do passado e incentivando a busca por informações e testes regulares.



