Especialistas defendem que a conscientização é o primeiro passo para combater o problema
O aumento de 41,4% nos casos de feminicídio em São Paulo, entre março e abril de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior, acendeu um alerta. Os dados, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, expõem uma realidade alarmante agravada pela pandemia de coronavírus.
Isolamento e Violência Doméstica: Um Cocktail Perigoso
Para Marcia Pieri, advogada e fundadora da ONG Programa de Mãos Estendidas, em Ribeirão Preto, a pandemia intensificou o problema. Mulheres em situação de violência doméstica, já submetidas a um isolamento psicológico, viram-se confinadas com seus agressores, dificultando ainda mais a busca por ajuda e a tomada de decisões.
Reconhecendo o Ciclo da Violência e Quebrando o Silêncio
Marcia destaca a importância de reconhecer os sinais de abuso: um ciclo que começa com tensão, evolui para agressão e culmina em uma fase de “lua de mel”, repetindo-se até o trágico fim. A conscientização sobre esse ciclo é crucial para interromper a escalada da violência antes que ela chegue ao feminicídio. A advogada enfatiza a necessidade de as mulheres quebrarem o silêncio, buscando apoio em organizações, buscando suporte psicossocial e se empoderando para romper o ciclo de violência.
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Em tempos de pandemia, a possibilidade de registrar boletim de ocorrência online (delegaciaeletrônica.policiacivil.sp.gov.br) e a continuidade dos serviços de apoio, como o NAEM, CRAS, CREAS, UBDs e o Disque 180, demonstram que as mulheres não estão sozinhas. A denúncia é fundamental para interromper o ciclo da violência e salvar vidas.



