A psicóloga Patrícia Binhardi analisa por que jovens expõem brigas e traumas familiares nas redes sociais
A geração Z, composta por jovens nascidos entre 1997 e 2012, tem apresentado um comportamento preocupante nas redes sociais ao expor situações de violência familiar, incluindo brigas e agressões verbais e físicas. Esses jovens utilizam plataformas como TikTok e Instagram para compartilhar esses episódios, possivelmente em busca de acolhimento e validação.
A psicóloga Patrícia Abinarde explica que essa exposição pode ser vista como um “grito de socorro” e destaca que, embora os jovens possam se sentir ouvidos, eles perdem o controle sobre a divulgação de sua vida pessoal e ficam sujeitos a julgamentos. Ela ressalta que a imaturidade emocional da geração Z dificulta o processamento dessas experiências compartilhadas publicamente.
Patrícia também aponta que essa geração, apesar de ter acesso rápido à informação e desenvolvimento cognitivo, apresenta carência em habilidades socioafetivas devido à falta de diálogo e afeto na infância. Essa carência emocional leva os jovens a buscarem atenção e suporte nas redes sociais.
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Para lidar com essa situação, a psicóloga recomenda que pais e cuidadores evitem punições, que podem gerar silêncio e mentiras, e apostem na escuta ativa e no diálogo respeitoso. Ela sugere perguntas abertas e gerais para incentivar a comunicação diária com os filhos, além de manter proximidade e acompanhar a rotina das crianças, especialmente na era digital atual.
Pontos-chave
- Jovens da geração Z expõem violência familiar nas redes sociais em busca de acolhimento.
- A exposição pode trazer validação, mas também riscos de julgamentos e perda de controle sobre a própria história.
- A geração Z tem carência emocional e habilidades socioafetivas pouco desenvolvidas devido à falta de diálogo e afeto na infância.
- Recomenda-se que pais e cuidadores promovam escuta ativa e diálogo respeitoso, evitando punições e incentivando a comunicação diária.
Entenda melhor
A geração Z é seguida pela geração Alfa (nascidos a partir de 2010), que cresce em um contexto ainda mais conectado e tecnológico. O desenvolvimento socioafetivo dessas gerações depende da interação social e do afeto, que precisam ser estimulados pelos adultos responsáveis para evitar problemas emocionais e comportamentais.



