Em Franca, um homem ficou quatro dias aguardando transferência para a Santa Casa, até morrer no dia que seria transferido
A falta de leitos em hospitais públicos da região de Ribeirão Preto e Franca tem gerado consequências trágicas. Pacientes estão morrendo enquanto aguardam por vagas, expondo um grave problema no sistema de saúde.
Mortes na espera por leitos
Casos recentes ilustram a gravidade da situação. Paulo, após quatro dias no pronto-socorro, faleceu no dia em que finalmente conseguiria a transferência para a Santa Casa. Sua esposa, Fabíola, relata o descaso vivenciado durante a espera. Outro caso envolve uma mulher de 41 anos que não resistiu à espera de cinco dias por internação. Na semana passada, uma criança de 10 meses morreu após três dias aguardando uma vaga na Santa Casa de Sertãozinho, mesmo após ser transferida da UPA. Uma idosa de 88 anos também faleceu após procurar atendimento na UPA de Sertãozinho.
Superlotação e falta de recursos
Atualmente, cerca de 40 pessoas aguardam na fila de regulação de vagas em Franca. A Santa Casa, principal unidade receptora de pacientes do SUS, está sobrecarregada. O prefeito de Franca, Alexandre Ferreira, explica que o aumento da demanda, com a migração de pacientes de convênios para o SUS, e a falta de prontos-socorros 24 horas em outras cidades da região, agravam a situação. Em Sertãozinho, a Santa Casa da Saúde, único hospital que atende pacientes do SUS, também enfrenta superlotação, com pacientes, como uma bebê de três meses, aguardando por leitos. A secretária de saúde de Sertãozinho, Soraya Estela, afirma que não há soluções imediatas, mas que há estudos para reforma e ampliação da Santa Casa, incluindo um projeto de 25 milhões de reais aprovado pela Câmara Municipal.
Leia também
Soluções em estudo e ações em andamento
Apesar da gravidade da situação, há iniciativas em andamento para tentar amenizar o problema. Em Franca, foram anunciados dez novos leitos para a Santa Casa, e o prefeito busca novas vagas junto ao governo do estado, incluindo hospitais particulares e de outras regiões. A regulação de vagas para hospitais em outras cidades, como Patrocínio Paulista, também foi iniciada. Em Sertãozinho, além do projeto de ampliação da Santa Casa, a UPA está recebendo medicamentos da Santa Casa para o tratamento de crianças, e um projeto para a construção de uma nova pediatria está em andamento. Embora os esforços estejam sendo feitos, a realidade é que muitas famílias continuam sofrendo com a falta de vagas e a demora no atendimento, resultando em perdas irreparáveis.


