As música “Asa Branca” e “Acauã” são exemplos que o cantor trazia, das aves para a sua obra; ouça a coluna “CBN Sons da Terra”
O programa Sons da Terra da CBN dedicou seu segundo episódio à obra de Luiz Gonzaga, explorando a rica relação entre a música do Rei do Baião e a natureza nordestina.
A Natureza na Música de Luiz Gonzaga
O programa destacou a capacidade de Gonzaga e seu parceiro musical, Roberto Teixeira, de retratar a paisagem e os sentimentos do povo nordestino em suas canções. Seu sobrinho e parceiro de palco, Joaquim Gonzaga, ressaltou que as músicas de Luiz Gonzaga refletem os sons do sertão: o mugido do gado, a chuva, as árvores. Para conhecer a história do Nordeste, basta ouvir seus discos, que transportam o ouvinte para a realidade sertaneja.
Aves e outras Espécies na Obra de Gonzaga
Além da famosa Asa Branca, que narra a fuga de uma pomba da seca, a obra de Luiz Gonzaga abrange diversas outras espécies de aves. A música Caiauan, por exemplo, descreve o canto de um falcão, associado a diferentes crenças populares. Outras canções mencionam o João Corta-pau, a mãe-da-lua, a peitica e o bacurau, demonstrando a vasta gama de conhecimento de Gonzaga sobre a fauna nordestina. A música Assum Preto, por sua vez, aborda a prática cruel de cegar pássaros para que cantassem mais, uma prática que o próprio Gonzaga condenava.
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Observação Detalhada da Natureza
A análise das letras de Luiz Gonzaga revela um profundo conhecimento e observação da natureza. A menção ao galo-de-campina, que muda de cor conforme a idade, demonstra a capacidade de observação detalhada do artista. A riqueza de detalhes sobre o comportamento das aves e outros elementos da natureza indica que Gonzaga era um amante e observador atento do sertão, integrando essa observação em suas criações musicais. Essa conexão com a natureza está intrinsecamente ligada às suas raízes em Exu, Pernambuco, e à dura realidade da região da caatinga, onde a convivência harmoniosa com a natureza é essencial para a sobrevivência.
O programa finalizou com a música Xote das Meninas, que utiliza a flor de mandacaru como símbolo da chegada da chuva e do despertar amoroso das meninas, mostrando mais uma vez a ligação entre a natureza e a vida sertaneja na obra de Luiz Gonzaga.