Vencedora na categoria ‘Livro do Ano’ é ribeirão-pretana e fala sobre suas inspirações e filosofia de trabalho no ‘Nossa Gente’
A jornalista Daniela Lemos entrevista Luísa Romão, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria poesia, com a obra “Também guardamos pedras aqui”.
O Prêmio Jabuti e a surpresa da vitória
Luísa expressa sua surpresa ao vencer o prêmio, considerando-se jovem apesar de dez anos de trabalho com literatura. Ela destaca a importância do Jabuti como principal prêmio literário do Brasil e a honra de estar entre finalistas como Arnaldo Antunes, Ana Martins Marques, Eduardo Jorge, Ricardo Aleixo e Tatiana Nascimento, artistas que admira profundamente.
“Também Guardamos Pedras Aqui”: Inspiração e Temas
A obra, uma coletânea de poesias, é inspirada na Ilíada, de Homero, e nas canções de protesto de Nina Simone. Luísa explica que as pedras evocam um campo de imagens e referências, e que o livro busca refletir sobre a violência presente na Ilíada e sua conexão com a realidade brasileira contemporânea, abordando temas como o desaparecimento de corpos e a violência histórica do país, desde a colonização até os dias atuais. A autora destaca a importância da devolução do corpo, mesmo que simbólica, como um ato de misericórdia e um contraste com a realidade brasileira.
Leia também
Poesia como Protesto e Transformação
Luísa discute o papel da poesia como ferramenta de reflexão crítica sobre a sociedade e a história do Brasil, especialmente durante o período de governo genocida e fascista. Ela considera a poesia como um espaço de luta por um mundo mais justo, ressaltando que a obra não se limita à denúncia, mas também busca a construção de um mundo melhor, com bem-viver, bem-estar e direito à vida. A autora enfatiza a poesia como um campo de disputa, onde é possível questionar narrativas cristalizadas e buscar novas perspectivas. Sua participação em slams, sarau e outros eventos de poesia falada também são abordados, mostrando a importância da performance na sua poética.



