Lula assina decreto que reconhece música gospel como manifestação cultural brasileira
O governo federal, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou um decreto que reconhece a música gospel como manifestação cultural brasileira. Este reconhecimento tem um impacto significativo no cenário musical e cultural do país.
A Música Gospel e sua Diversidade de Estilos
A música gospel, outrora vista de forma mais restrita, evoluiu e incorporou diversos estilos musicais. Atualmente, encontramos desde o worship, um estilo de louvor contemporâneo com forte apelo emocional e espiritual, até o sertanejo gospel, que utiliza a linguagem e a performance do sertanejo tradicional para transmitir mensagens de fé. Artistas como Gabriela Rocha, com sua canção “Me Atraiu”, exemplificam o estilo worship, enquanto a colaboração entre Luciano Camargo e César Menotti & Fabiano, em “Ligada no Céu”, demonstra a força do sertanejo gospel.
A Inserção da Música Gospel na Cultura Brasileira
A Constituição de 1988 define como patrimônio cultural os bens, práticas e saberes que uma sociedade reconhece como portadores de valor simbólico, histórico e social. Nesse sentido, a música gospel se insere como uma manifestação cultural, refletindo práticas sociais amplamente difundidas no Brasil, especialmente com o crescente número de pessoas que se declaram evangélicas. A música gospel, assim como a sociedade, não é homogênea, e essa diversidade se manifesta nos diferentes estilos musicais.
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A Ressignificação de Gêneros Musicais
A música gospel demonstra uma capacidade notável de ressignificar linguagens musicais já consolidadas na cultura brasileira. O pagode gospel, exemplificado pelo grupo Samba pra Deus com a participação de Marvila, preserva o balanço e a estética popular do samba, mas com um caráter devocional. Da mesma forma, o funk gospel, representado por Tonzão em “Paz do Senhor”, utiliza a base rítmica e o flow do funk, substituindo o erotismo e a ostentação por mensagens religiosas. Até mesmo o rock, historicamente associado ao desvio, encontra espaço na música gospel, como demonstrado pela banda Oficina G3 em “Ele Vive”, mostrando a hibridização de gêneros.
A música gospel, em suas múltiplas formas, reflete a dinâmica da cultura brasileira, adaptando-se e incorporando diferentes estilos musicais para expressar a fé e a espiritualidade de seu público.



