Nelson Rocha Augusto comenta quais os desafios que o novo chefe do BC terá que enfrentar e opina a indicação
O Banco Central terá um novo presidente: Gabriel Galipolo, indicado pelo presidente Lula, substituirá Roberto Campos Neto em 31 de dezembro. A escolha foi bem recebida pelo mercado financeiro, que vê em Galipolo um profissional técnico e experiente.
Indicado e Mercado
A indicação de Galipolo era esperada, embora houvesse debates sobre o momento ideal para a nomeação, dada a necessidade de aprovação pelo Senado. O mercado reagiu positivamente à notícia, com uma leve alta na bolsa de valores. Essa receptividade se deve ao conhecimento da expertise técnica de Galipolo e sua trajetória no Banco Central.
Desafios e Expectativas
Um dos principais desafios de Galipolo será lidar com a politização da discussão sobre a taxa de juros, promovida pelo próprio presidente Lula. Para manter a credibilidade do Banco Central e combater a inflação, Galipolo precisará demonstrar independência e firmeza em suas decisões, evitando a percepção de que cederá a pressões políticas para reduzir as taxas de juros. A próxima reunião do Copom, em 17 e 18 de setembro, será crucial para observar a atuação conjunta de Campos Neto e Galipolo.
Leia também
Cenário Econômico e Internacional
A economia brasileira apresenta indicadores positivos: inflação sob controle, crescimento de investimentos e bons níveis de emprego e renda. No entanto, é importante considerar o cenário internacional, principalmente a economia americana. A revisão do PIB americano do segundo trimestre apontou um crescimento de 3%, impulsionado pelo consumo das famílias e investimentos em estoques. A inflação americana também está sob controle, com uma taxa anualizada de 2,5%, o que fortalece o dólar e influencia a economia brasileira. Apesar da volatilidade cambial, a tendência é de uma leve queda do dólar no médio prazo.
O ano eleitoral também exerce influência na economia, com os políticos direcionando recursos para seus redutos eleitorais. As mudanças na legislação eleitoral, como a reforma política de 2017 que limitou o financiamento de campanhas, também impactam a economia, afetando a dinâmica partidária e a aprovação de projetos importantes, como a reforma tributária.