Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
A madeira plástica ganha espaço na construção civil ao oferecer alternativa que une reaproveitamento de resíduos e desempenho técnico. Produzida a partir de resíduos plásticos reciclados combinados com fibras vegetais — como casca de coco e bagaço de arroz — o material tem chamado a atenção por durabilidade e menor suscetibilidade a pragas, diz o engenheiro José Carlos de Lima Júnior.
Composição e desempenho
A mistura de polímeros reciclados com fibras naturais resulta em produto mais resistente que a madeira convencional em várias aplicações. Segundo especialistas, a composição reduz a ação de cupins e outros agentes biológicos; em formulações que incorporam fibra de vidro, a resistência mecânica aumenta, viabilizando usos que exigem maior robustez. Essas características têm sido determinantes para a adoção do material em ambientes expostos à umidade e ao tráfego.
Aplicações e mercado
No mercado existem duas linhas principais: uma direcionada à construção civil, aplicada em decks de piscina, assoalhos e revestimentos internos; e outra de maior resistência, empregada em dormentes ferroviários. Enquanto nos Estados Unidos o setor movimenta mais de 5 bilhões de dólares por ano, no Brasil o segmento ainda se encontra em fase inicial. Fontes do setor avaliam que a demanda poderá crescer à medida que projetos valorizem critérios de sustentabilidade e a cadeia ofereça mais opções competitivas.
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Custo, certificação e perspectivas
O preço da madeira plástica costuma ser semelhante ao da madeira certificada, cujo valor incorpora selos que atestam origem e boas práticas de produção. O diferencial ambiental da madeira plástica está no reaproveitamento de resíduos e na redução do consumo de madeira natural, colaborando para a preservação de florestas. Especialistas advertem, porém, que o novo material não deve substituir integralmente a madeira tradicional, mas integrar um mercado que priorize alternativas sustentáveis conforme a aplicação.
Certificações desempenham papel-chave na confiança do mercado. Criadas inicialmente com foco social na década de 1980, por exemplo no combate ao trabalho infantil, essas normas ampliaram-se nos anos 2000 para incluir critérios ambientais. O futuro da madeira plástica dependerá de normas claras, fortalecimento das certificações e da capacidade do setor de equilibrar desempenho, preço e benefícios socioambientais.