Rins do Marquinhos, de 9 anos, por conta de uma má formação, só funcionavam com 15% da capacidade; cirurgia foi um sucesso!
Fratiane, 42 anos, doou o rim para o filho Marcos, de 9 anos, em uma cirurgia realizada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. O procedimento, que durou cerca de nove horas na última segunda-feira, envolveu uma equipe multidisciplinar e emocionou profissionais e familiares. A operação marca um novo capítulo para a criança e para a mãe, que vinha lutando há anos pela saúde do filho.
Viagem, sacrifícios e acompanhamento médico
O histórico da família remonta a quase uma década, quando os problemas urinários de Marcos foram identificados e passaram a comprometer os rins. Em busca de tratamento, Fratiane enfrentou uma viagem de 14 horas de ônibus de Minas Gerais até Ribeirão Preto e, diante da necessidade de acompanhamento contínuo, acabou se mudando para perto do hospital. “Larguei emprego, casa e vim só eu e o Marcos; depois a família veio”, relatou a mãe, lembrando das idas e vindas para consultas e exames.
Ao longo do tratamento, a equipe médica alertou para a possibilidade de avanço da doença renal caso o acompanhamento não fosse mantido. A mãe descreve o esforço para garantir a vaga no hospital e a garantia de atendimento que, segundo ela, foi decisiva para a continuidade do caso.
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Compatibilidade, pandemia e a operação
Há cerca de dois anos, durante o preparo para o transplante, Fratiane descobriu ser compatível com o filho e se tornou candidata a doadora viva. A pandemia de Covid-19, entretanto, interrompeu os planos por quase um ano e meio. “Ficamos parados por muitos meses”, disse ela, que ressaltou o apoio da equipe médica, em especial de profissionais que acalentaram e acompanharam o processo.
A cirurgia exigiu logística e preparo para proteger tanto o recebedor quanto a doadora. O urologista Silvio Tussi Jr. destacou o caráter emocionante do procedimento: “Foi uma chance de, pela segunda vez, a mãe dar a vida ao filho”. Segundo os médicos, Fratiane recebeu cuidados para minimizar a dor no pós-operatório, com cateter e medicação analgésica, além de monitoramento da função renal do receptor.
Retomada de esperança
A coordenadora da equipe de nefrologia, Ellen Romão, explicou como funciona o fluxo para pacientes em diálise ou em risco de avançar para diálise: a avaliação do receptor e de familiares interessados em doar, a investigação de compatibilidade genética e clínica, e a opção pelo transplante de doador falecido quando não há doador vivo disponível. “Fazemos uma série de exames para garantir segurança ao doador e ao receptor”, afirmou.
Após a operação, Marcos deixou a UTI e foi transferido para a enfermaria; a previsão média de internação após esse tipo de procedimento costuma ser de 10 a 14 dias, seguida de consultas de acompanhamento. Para a família, o transplante representa mais do que um procedimento médico: é a retomada de projetos e a possibilidade de uma vida com menos restrições.
A felicidade de Fratiane é visível nas palavras: “Deu certo, eu tô muito feliz”. A notícia traz alívio imediato à família e uma mensagem de esperança para outros pacientes que aguardam por um rim.



