A maternidade atípica foi tema de uma entrevista especial em homenagem ao Dia das Mães na programação da CBN Ribeirão Preto. Durante a conversa, a idealizadora e diretora do Instituto GMA, Tamara Neri, falou sobre os desafios enfrentados por mães de crianças e jovens neurodivergentes e destacou a necessidade de mais apoio da sociedade e das políticas públicas.
Mãe de dois filhos autistas, Tamara relatou a rotina intensa de cuidados, terapias e acompanhamento constante. Segundo ela, além das demandas diárias da maternidade, mães atípicas convivem com sobrecarga emocional, dificuldades no acesso a direitos e falta de acolhimento social. A diretora do Instituto GMA também destacou a importância da união entre mães atípicas para fortalecer redes de apoio, ampliar debates sobre saúde mental e combater o capacitismo enfrentado pelas famílias.
Rotina intensa
Tamara Neri contou que a maternidade atípica começou após o diagnóstico do filho mais novo, Isaac, hoje com 9 anos. Ela também é mãe de Ana Clara, de 20 anos, que recebeu diagnóstico tardio de autismo nível 1 de suporte e altas habilidades.
Segundo Tamara, a rotina envolve terapias frequentes, acompanhamento constante e atenção diária às necessidades dos filhos. Ela afirmou que, apesar dos desafios, o amor e a dedicação fazem parte da caminhada das mães atípicas. A idealizadora do Instituto GMA também relatou que é mãe solo e destacou que muitas mulheres acabam deixando o mercado de trabalho para se dedicar integralmente aos filhos e aos cuidados necessários no dia a dia.
Saúde mental
Durante a entrevista, Tamara afirmou que mães atípicas ainda são invisibilizadas pela sociedade. Segundo ela, a principal dificuldade está relacionada à saúde mental dessas mulheres, que acumulam sobrecarga emocional e precisam lutar constantemente pelos direitos dos filhos.
Leia também
Ela destacou que muitas mães não conseguem encontrar tempo para cuidar da própria saúde ou buscar acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Tamara relatou que a falta de políticas públicas efetivas contribui para o adoecimento mental de mães atípicas. A diretora do Instituto GMA também chamou atenção para o capacitismo enfrentado pelas famílias e afirmou que a sociedade ainda impõe barreiras que dificultam o acesso a direitos básicos e à inclusão.
Rede apoio
O Instituto GMA surgiu a partir da necessidade de criar uma rede de acolhimento para mães atípicas em Ribeirão Preto. Atualmente, o grupo reúne cerca de 500 pessoas em um grupo de WhatsApp e mantém uma página nas redes sociais para divulgar ações e eventos.
Entre as iniciativas promovidas pelo grupo está uma feira de mães empreendedoras realizada neste sábado (10), na Casa Comum, ao lado do Supermercado Tonin, na Avenida Caramuru. O evento também marca o lançamento do projeto “Mãe de Antônio”, voltado para rodas de conversa sobre saúde mental. Segundo Tamara, o objetivo do Instituto GMA é ampliar o acolhimento às mães atípicas e criar espaços de escuta e apoio para mulheres que enfrentam diariamente a sobrecarga da maternidade e a busca constante por inclusão e direitos.



