Ouça o relato das ‘mães de UTI’ que saíram do hospital sem seus filhos e precisaram de muita fé para enfrentar esse momento
Reportagem especial para o Dia das Mães na CBN, com patrocínio do Ribeirão Shopping. Em março, a série que homenageia as mães traz relatos sobre a experiência de acompanhar um filho internado em uma unidade de terapia intensiva neonatal (UTI).
Do nascimento à UTI neonatal
Carla e Giovana são duas das mulheres que saíram da maternidade sem os filhos nos braços. Em momentos diferentes, ambas enfrentaram a angústia de não poder realizar os primeiros cuidados do bebê — a primeira troca de fralda, o banho, ou até o primeiro contato visual imediato.
“É muito ruim a gente ter a sensação de um filho numa UTI. Só quem é mãe de UTI sabe o que é ser mãe de UTI”, diz uma das mães. “Eu só consegui ver meu filho no outro dia cedo. No dia que ele nasceu, eu não vi ele.”
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Para muitas famílias, os primeiros dias de maternidade se passam ao lado de monitores e bombas de infusão, e não no colo. A sensação de solidão e a insegurança sobre o futuro do bebê marcam esse período.
Números e causas
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, cerca de 1 em cada 10 recém-nascidos necessita de ventilação mecânica; aproximadamente 1 em cada 100 é intubado; e até 2 em cada mil podem precisar de massagem cardiorrespiratória e medicamentos no momento do nascimento. As razões variam: prematuridade — quando o parto ocorre antes das 37 semanas, como no caso de Otávio, filho de Carla — malformações, síndromes e outras condições fisiológicas, como aconteceu com Cauê, filho de Giovana.
Fé, profissão e resistência
A pediatra Mariana, que trabalhou em UTI neonatal e também passou pelo desejo e pela dificuldade de ser mãe, conta que teve longos anos de tratamento e perdas antes de conseguir engravidar. “Foram sete anos de tratamento, mais de dez fertilizações que não deram certo. Vivi um luto profundo”, relata. Profissionalmente, ela também acompanhou histórias difíceis: óbitos ao nascer e casos em que, apesar de todo o esforço da equipe, não houve sucesso.
Para as famílias, a fé e a união se mostram pilares importantes. “Acreditar em Deus, ter muita fé”, repetem as mães ao falar do processo de recuperação emocional. Muitas relatam que a experiência ensina a valorizar cada pequeno avanço e cria uma força extraordinária, que pode apoiar outras famílias em situação similar.
Hoje, palavras simples das crianças traduzem a recompensa por esse percurso: “Eu vou ser a melhor mãe do mundo”, diz uma delas. “Feliz dia das mães”, acrescenta outra, com a sinceridade que emociona quem acompanhou essa trajetória.
As histórias de Carla, Giovana e Mariana são lembretes da complexidade da maternidade quando começa na UTI neonatal: um tempo de espera, cuidados intensivos e, para muitos, de fé renovada e pequenas vitórias diárias.



