Além das queimaduras, muitos tiveram problemas sérios no trato respiratório por conta da inalação de fumaça
Desde o início dos recentes incêndios florestais, Mais da metade dos bichos atendidos no Bosque durante as queimadas não resistiu aos ferimentos, o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) do Bosque Isológico de Ribeirão Preto tem se dedicado a receber e tratar diversas espécies de animais silvestres afetados pelas chamas. O objetivo principal é recuperar esses animais para que possam ser devolvidos à natureza em condições adequadas de saúde.
Entretanto, o estado clínico dos animais que chegam ao CETRAS tem causado preocupação entre os técnicos e veterinários que atuam no local. A maioria dos animais apresenta queimaduras graves, quadros de desidratação e sinais evidentes de estresse. Dos 20 animais recentemente recebidos, metade não resistiu aos ferimentos e faleceu.
Um caso emblemático é o de uma onça-parda que sofreu atropelamento ao tentar fugir do fogo. Segundo o veterinário Pedro Favorito, responsável pelo CETRAS, a onça perdeu parte da mobilidade na pata esquerda e dois dígitos, o que inviabiliza seu retorno à vida selvagem, pois compromete suas habilidades de caça e locomoção. Favorito relatou:
“Ela foi vítima de um atropelamento, estava fugindo do fogo. A mãe e um irmão conseguiram escapar, mas o irmão faleceu no local. Essa onça perdeu praticamente o movimento da pata esquerda. Mesmo que consigamos salvar o animal, a perda da funcionalidade da pata inviabiliza seu retorno à natureza, pois ela depende dessa pata para correr e caçar.”
O CETRAS de Ribeirão Preto é uma das 26 unidades estruturadas pelo Departamento de Fauna Silvestre da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, destinadas ao atendimento de animais feridos. Além da onça-parda, a equipe tem atendido gambás, tamanduás e macacos-pregos vítimas dos incêndios.
Há cerca de dez dias, o CETRAS mantém um plano de emergência específico para o atendimento de animais silvestres afetados por incêndios. Os casos mais comuns envolvem queimaduras de diferentes graus, causadas pelo calor intenso, vapor e brasas. Além disso, muitos animais chegam em estado de desidratação severa, resultado de dias sem alimentação adequada e água.
De acordo com o zoologista Alexandre Gouveia, responsável técnico pelo CETRAS, os maiores desafios no tratamento desses animais são as queimaduras nos membros e as complicações respiratórias decorrentes da inalação de fumaça. Ele explica:
“As queimaduras nos membros são muito graves e dificultam a recuperação dos animais. Além disso, a inalação da fumaça pode comprometer as vias aéreas, causando problemas respiratórios que podem ser fatais se não tratados adequadamente.”
O trabalho no CETRAS envolve cuidados intensivos, incluindo hidratação, tratamento das queimaduras, suporte nutricional e monitoramento constante. A equipe multidisciplinar busca minimizar o sofrimento dos animais e aumentar as chances de recuperação, embora muitos casos apresentem prognóstico reservado devido à gravidade dos ferimentos.
Até o momento, não foram divulgados dados oficiais sobre o número total de animais atendidos desde o início dos incêndios, nem sobre a taxa de recuperação e soltura desses animais. O CETRAS continua atuando como um importante ponto de apoio para a fauna silvestre afetada, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes para prevenção e combate a incêndios florestais, bem como para a proteção da biodiversidade local.
Impactos dos incêndios na fauna silvestre
- Animais chegam ao CETRAS com queimaduras graves e desidratação.
- Metade dos animais recentemente recebidos não resistiu aos ferimentos.
- Casos de atropelamento ocorrem durante fuga dos incêndios, agravando lesões.
- Inalação de fumaça compromete a saúde respiratória dos animais.
- Parte da rede estadual composta por 26 unidades especializadas em atendimento a animais feridos.
- Plano de emergência ativo há dez dias para atendimento de vítimas de incêndio.
- Atendimento a diversas espécies, incluindo onças, gambás, tamanduás e macacos-pregos.
- Tratamento envolve hidratação, cuidados com queimaduras e suporte nutricional.
Atuação do CETRAS de Ribeirão Preto:
- Queimaduras nos membros dificultam a recuperação e a possibilidade de soltura.
- Lesões graves podem inviabilizar o retorno dos animais ao habitat natural.
- Complicações respiratórias causadas pela fumaça aumentam o risco de mortalidade.
- Falta de dados oficiais sobre número total de atendimentos e recuperações.
Informações adicionais
Desafios no tratamento e recuperação: O CETRAS de Ribeirão Preto é uma iniciativa do Departamento de Fauna Silvestre da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, que mantém uma rede de unidades para atendimento e reabilitação de animais silvestres feridos. A atuação do centro é fundamental para minimizar os impactos dos incêndios na fauna local, embora os desafios sejam grandes devido à gravidade das lesões e ao estresse causado nos animais.



