Em 2020, antes da pandemia, 1550 pessoas conseguiram realizar a cirurgia, no Estado de São Paulo.
Após meses de suspensão devido à pandemia, os transplantes de córnea foram retomados em São Paulo. Atualmente, cerca de 3.600 pacientes aguardam na fila por esse procedimento, segundo dados da Central de Transplantes do estado.
Esperança e Incerteza na Fila de Transplantes
Rosemary Rita, auxiliar de limpeza, perdeu a visão há três anos devido à ceratocone, doença que causa afinamento da córnea e cegueira. Ela é uma das milhares de pessoas na fila, e a espera, agravada pela pandemia, trouxe grande sofrimento. “Foi falado que devido à pandemia estava tudo parado, que era para esperar, né, porque assim que normalizasse, já entraria em contato comigo. E esses últimos seis meses aí, você sentiu uma piora muito grande? Como que tem sido esse período? Ah, tem sido bem pior para mim, porque pela estagem que eu realmente senti que estava, que já não era bom, eu percebi que piorou mais, piorou bastante.”, relata Rosemary.
Segurança e Novos Protocolos
O oftalmologista José Augusto Cardilho explica que o transplante de córnea é um dos procedimentos mais seguros, com baixo índice de rejeição. A córnea, por ser avascularizada (sem vasos sanguíneos), apresenta menor risco de rejeição em comparação a outros órgãos. A pandemia, no entanto, impôs novos protocolos, incluindo testes de Covid-19 para doadores, o que impactou o número de transplantes realizados. Em 2020, foram realizados 8.328 transplantes em São Paulo, sendo 5.400 de córnea.
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Desafios Emocionais e o Futuro dos Transplantes
Além dos desafios logísticos, a pandemia trouxe impactos emocionais significativos para os pacientes na fila. A espera prolongada e a incerteza sobre o futuro afetaram a qualidade de vida. Para minimizar esses efeitos, o sistema de saúde ofereceu suporte psicológico aos pacientes. Com a retomada dos transplantes, a expectativa é de que a fila diminua gradualmente nos próximos meses. A manifestação do desejo de ser doador de órgãos e a autorização familiar são cruciais para garantir a continuidade dos transplantes e dar esperança a quem espera por uma nova visão.


