Sobre as causas, tratamentos e como evitar, ouça a entrevista do neurologista da USP Ribeirão Octávio Marques Pontes Neto
O acidente vascular cerebral (AVC) representa um grave problema de saúde pública, sendo atualmente a principal causa de morte no Brasil. Dados recentes apontam mais de 56.300 óbitos por AVC no primeiro semestre do ano, superando inclusive as mortes por infarto e Covid-19.
O que é AVC e suas causas
O AVC ocorre quando há um problema nas artérias que irrigam o cérebro. Em 80% dos casos, trata-se de um AVC isquêmico, causado pelo entupimento de uma artéria por um coágulo sanguíneo. Nos outros 20%, um AVC hemorrágico, a artéria se rompe e extravasa sangue para o cérebro. As principais causas são coágulos formados pela fibrilação atrial, placas de gordura nas artérias do pescoço ou hábitos de vida não saudáveis. Embora haja um componente genético (10%), 90% do risco de AVC é atribuído a fatores modificáveis.
Sequelas e tratamento
As sequelas do AVC variam de acordo com a área cerebral afetada, podendo incluir paralisia, perda de visão, dificuldades de fala e locomoção. A rapidez do atendimento é crucial. O tratamento inclui a terapia trombolítica (dissolução do coágulo) nas primeiras quatro horas após o início dos sintomas, e a trombectomia mecânica (remoção do coágulo por cateterismo). A reabilitação, com fisioterapia e fonoaudiologia, é fundamental para minimizar sequelas e explorar a neuroplasticidade cerebral.
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Reconhecer os sintomas (fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade de fala, visão turva, vertigem) é essencial para procurar atendimento médico imediato. Ligar para o serviço de emergência (192) é fundamental. A prevenção, por meio do controle de pressão arterial, diabetes, colesterol, hábitos alimentares saudáveis, prática regular de exercícios físicos e abandono do tabagismo, é vital para reduzir significativamente o risco de AVC.



