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Mais de 70 mil pessoas aguardam transplante de órgãos no Brasil

Fila única do SUS reúne pacientes de todo o país; especialistas reforçam a importância da doação e da conversa com a família
transplante
sturti de Getty Images Signature/Canva

Uma megaoperação envolvendo a Força Aérea Brasileira (FAB) marcou a transferência de órgãos para transplantes nesta semana e voltou a chamar a atenção para um tema que mistura emoção, esperança e urgência, a fila de espera por transplantes no Brasil. Atualmente, mais de 70 mil pessoas aguardam por um órgão para continuar vivendo.

Os dados foram abordados em entrevista à CBN com a enfermeira Alexandra Dias de Almeida, coordenadora da Procura de Órgãos do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, que explicou como funciona a fila, os critérios de prioridade e os desafios enfrentados diariamente por pacientes, famílias e equipes de saúde.

Fila nacional

A fila de transplantes no Brasil é única e nacional, administrada integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo quando o procedimento é realizado em hospitais privados, ele só ocorre se a unidade for conveniada ao SUS e respeitar a ordem da fila.

Segundo Alexandra, cada órgão possui critérios específicos para a distribuição, que levam em conta fatores como compatibilidade sanguínea, exames imunológicos e gravidade do quadro clínico. Pacientes internados em UTI, por exemplo, costumam ter prioridade em relação àqueles que conseguem manter o quadro estável com tratamento.

Números da espera

Os números da fila impressionam. Apenas para transplante de rim, cerca de 38 mil pessoas aguardam um órgão no país, sendo 20 mil no estado de São Paulo. Para transplante de fígado, são aproximadamente 3 mil pacientes, enquanto a espera por um coração envolve cerca de 400 pessoas.

Outros dados também chamam atenção, como o transplante de córneas, com cerca de 31 mil pessoas na fila, a maioria concentrada em São Paulo. Apesar de avanços recentes, a demanda segue muito superior ao número de doações.

Mortalidade

A espera, em muitos casos, não termina com o transplante. Dados parciais de 2025, atualizados até setembro, apontam que milhares de pacientes morreram enquanto aguardavam um órgão. No caso do rim, cerca de 2 mil mortes foram registradas entre 11 mil inscritos.

Para fígado, aproximadamente 500 pessoas morreram na fila, enquanto no transplante cardíaco, 100 pacientes não resistiram à espera. Segundo a coordenadora, trata-se de um processo emocionalmente desgastante para famílias, pacientes e profissionais de saúde.

Logística

A rapidez é um dos maiores desafios do sistema de transplantes. Alguns órgãos, como o coração, precisam ser implantados em até quatro horas após a retirada. Por isso, operações de grande porte contam com o apoio da FAB, além de forças de segurança para escoltas até aeroportos.

Essa logística precisa funcionar de forma precisa para evitar a perda do órgão e garantir que ele chegue ao receptor dentro do chamado tempo de isquemia, período máximo em que o órgão pode ficar fora do corpo.

Doação

Especialistas reforçam que o maior gargalo do sistema ainda é a baixa taxa de doação. No Brasil, a doação só acontece com a autorização da família, mesmo que a pessoa tenha manifestado o desejo de ser doadora em vida.

Por isso, a orientação é clara: conversar com a família desde cedo sobre a vontade de doar órgãos. Essa decisão pode significar a chance de vida para dezenas de pessoas que hoje aguardam na fila.

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