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Mais de 80% da área destruída nos incêndios era ocupada por cana-de-açúcar ou pastagem

Na sexta (23) o interior de São Paulo registrou mais focos de queimadas do que em toda a Floresta Amazônica
incêndios cana-de-açúcar
Na sexta (23) o interior de São Paulo registrou mais focos de queimadas do que em toda a Floresta Amazônica

Na sexta (23) o interior de São Paulo registrou mais focos de queimadas do que em toda a Floresta Amazônica

Segundo análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), 81,29% dos 2.600 focos de calor registrados em São Paulo em um fim de semana recente concentraram-se em áreas agropecuárias, principalmente canaviais e pastagens. O evento chamou atenção por registrar, em apenas um dia, mais focos de calor que a Amazônia inteira.

Cana-de-açúcar: o principal alvo

Os dados do IPAM apontam que 44,45% (1.200 focos) ocorreram em áreas de cultivo de cana-de-açúcar. A Orplana (Organização das Associações de Produtores de Cana do Brasil) estima prejuízos superiores a meio bilhão de reais, com 80 mil hectares queimados em áreas de cana e rebrota. José Guilherme Nogueira, CEO da Orplana, destaca a seca prolongada (com alguns municípios chegando a 140 dias sem chuva) e a baixa umidade do ar como fatores agravantes.

Impactos e desafios

Além da cana, os incêndios afetaram outras áreas: 19,99% em mosaicos de uso agropecuário (onde a distinção entre pasto e agricultura é difícil); 9,45% em pastagens; 7,43% em áreas de silvicultura, soja, citros, café e outras lavouras; e 16,77% em vegetação nativa. Cinco cidades da região de Ribeirão Preto concentraram 13,31% dos focos. O IPAM ressalta que o fogo atingiu principalmente áreas já desmatadas, indicando que a propagação se deu a partir de locais onde o fogo teve início.

Prevenção e futuro

Nogueira explica que o uso do fogo em áreas de cultivo é prática reduzida no Centro-Sul, ocorrendo apenas em situações controladas e em menos de 0,5% dos casos. O treinamento de brigadistas ocorre anualmente nas usinas e periodicamente entre os produtores, mas a magnitude dos incêndios recentes superou a capacidade de resposta. Para o futuro, a Orplana defende maior apoio governamental, ações de comunicação mais eficazes, e a aquisição de mais aeronaves e brigadas para combate a incêndios, inspirando-se em modelos de sucesso na Espanha, Portugal e Califórnia. A prevenção e monitoramento constante são cruciais para minimizar os impactos de eventos futuros.

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