Dados do IPAM, registrados por satélites, mostram que o estado teve, este mês, mais pontos de incêndio do que em toda a Amazônia
Mais de 80% dos focos de calor registrados em São Paulo em um único dia (23 de dezembro) ocorreram em áreas de uso agropecuário, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Esse número chama atenção, pois supera a quantidade de focos de calor registrados em toda a Amazônia no mesmo período.
Cana-de-açúcar e outros cultivos
A análise de imagens de satélite revelou que 44% dos focos de calor em áreas produtivas de São Paulo (1.200 focos) ocorreram em plantações de cana-de-açúcar. Outros 19% (524 focos) foram registrados em áreas agropecuárias em geral, 9% (247 focos) em pastagens e 7% (195 focos) em áreas de cultivo de soja, citros, café e outras lavouras.
Cidades mais afetadas
Cinco cidades concentraram 13% dos focos de calor registrados em três dias no estado: Pitangueiras, Altinópolis, Sertãozinho, Olímpia e Cajuru. Quatro delas estão na região de Ribeirão Preto, e Olímpia fica no polo de São José do Rio Preto.
A frequência com que as imagens de satélite são capturadas foi crucial para a detecção dos focos de calor. Imagens de um satélite geostacionário, com captação a cada 10 minutos, mostraram o surgimento de colunas de fumaça em intervalos de 90 minutos. Já o satélite que detecta calor passou pela região pela manhã e à tarde, registrando um aumento significativo no número de focos entre essas duas passagens (de 25 para 1.886).