Mais de um bilhão de pessoas no mundo sofrem com algum tipo de transtorno mental no mundo
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo enfrentam algum tipo de transtorno mental, incluindo ansiedade e depressão. Além da crucial busca por ajuda profissional, a pesquisa científica emerge como um pilar fundamental no combate a essas condições. Nesse contexto, pesquisadores da Unicamp têm se dedicado a desvendar os mistérios por trás da depressão e buscar novas abordagens terapêuticas.
A Depressão como Barreira Invisível
A depressão, muitas vezes imperceptível aos olhos alheios, distorce a percepção do mundo, rouba a energia vital, isola e aprisiona o indivíduo. Enquanto a vida segue seu curso, aqueles que sofrem permanecem à margem, como se estivessem atrás de uma barreira intransponível. A professora e escritora Carla Magalhães encontrou na escrita um refúgio nesse cenário. Ela relata a dificuldade em manter a força constantemente, a insônia, as lembranças dolorosas e a fragilidade que a consumiam. Apesar de ter amigos e vizinhos, sentia-se isolada, como se houvesse uma barreira impedindo a conexão. A escrita, então, surgiu como uma forma de libertação, permitindo que ela expressasse seus sentimentos e angústias.
Desafios no Tratamento e a Busca por Respostas na Unicamp
Um dos maiores desafios da ciência reside em compreender por que alguns indivíduos não respondem aos tratamentos convencionais para depressão. Na Unicamp, pesquisadores investigam as bases biológicas e químicas da doença, buscando abrir novas perspectivas terapêuticas. Estudos do Departamento de Bioquímica revelam que a depressão altera o funcionamento do sistema nervoso, tornando os impulsos mais lentos e prejudicando a comunicação entre os neurônios. Para aprofundar as descobertas, os cientistas utilizam amostras de sangue de pacientes com depressão, transformando-as em células-tronco que se desenvolvem em neurônios humanos. As linhas de pesquisa incluem a relação entre depressão e inflamações no organismo, bem como a influência do estresse e da infância no desenvolvimento da doença. Os cientistas também investigam por que alguns antidepressivos são eficazes em determinados pacientes e ineficazes em outros.
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Reconstruindo a Rotina e Cuidando da Mente
Enquanto a ciência busca respostas, pacientes como Carla se esforçam para reconstruir suas vidas. Atualmente, ela consegue desfrutar de passeios e momentos de lazer, e enfatiza a importância de cuidar da saúde mental. “O corpo fala”, afirma Carla, ressaltando que é fundamental prestar atenção aos sinais que ele emite. Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo.
O tema da saúde mental exige atenção, debate e, acima de tudo, apoio àqueles que necessitam. É preciso estar atento às necessidades que, muitas vezes, se manifestam em meio ao silêncio da sociedade.



