Tanto as mulheres quanto as crianças podem viver um tipo de luto; especialista em saúde materno infantil explica o caso
O aleitamento materno é um tema que gera muitas discussões entre mães, Mamães e o difícil processo de, especialmente no que diz respeito ao início e ao desmame. Muitas mulheres relatam que o começo da amamentação é desafiador, mas que, com o tempo, cria-se um vínculo forte entre mãe e bebê.
Glaucy Helena, mãe de uma criança de um ano e dois meses, compartilhou sua experiência na CBN. Ela destacou que amamentar foi o maior desafio e também o maior prazer da maternidade até o momento. Segundo ela, após o primeiro ano, as cobranças para interromper a amamentação aumentam, mesmo que a criança ainda dependa da mãe durante a madrugada, o que dificulta a participação de outras pessoas nesse cuidado.
“Eu só vou parar o dia que ela não quiser mais. O dia que ela fala, mãe, tô com vergonha, chega.”
Glaucy também mencionou que o momento do desmame é uma perspectiva dolorosa para ela, pois acredita que será a parte mais difícil da sua vida materna.
Para discutir o processo do desmame e o vínculo entre mãe e filho, a CBN convidou Elisa Carvalho, especialista em saúde materno-infantil e fonoaudióloga. Elisa ressaltou a importância do apoio às mães que amamentam, parabenizando empresas que oferecem estrutura para a extração e armazenamento do leite materno durante o trabalho.
“Hoje em dia é raro e é tão difícil convencer uma empresa que isso se faz necessário. Parabéns para vocês que têm essa estrutura.”
Sobre o luto do desmame, Elisa explicou que tanto a mãe quanto a criança podem vivenciar um processo de perda, já que o vínculo criado pela amamentação é muito forte e difícil de ser traduzido em palavras.
“Quando a mamentação realmente acontece, é uma coisa muito mágica, um vínculo que você não consegue decodificar em palavras.”
Ela destacou que o desmame deve ser feito de forma delicada e respeitosa, considerando as particularidades de cada mãe e filho. O planejamento deve observar a sintonia entre ambos, podendo incluir a substituição gradual das mamadas por leite ordenhado, respeitando o ritmo da criança.
Elisa também explicou aspectos fisiológicos do bebê, como a esterogestação, período que vai do nascimento até os três meses, quando o bebê ainda está se adaptando ao mundo fora do útero e necessita de muito contato físico e atenção. Ela ressaltou que o retorno da mãe ao trabalho aos quatro meses pode ser um momento difícil para a criança e para a mãe, pois ocorre durante essa fase de adaptação.
Com a introdução alimentar a partir dos seis meses, o bebê começa a experimentar novos sabores e texturas, o que pode ajudar a amenizar a separação da amamentação exclusiva.
Elisa Carvalho finalizou destacando a importância de um planejamento individualizado para o desmame, respeitando o tempo e as necessidades de cada binômio mãe e filho.



