Número estimado pela Polícia Militar foi similar ao dos organizadores; protestos começaram 9h30, nas praças XV e Carlos Gomes
As ruas próximas às praças XV e Carlos Gomes, em Ribeirão Preto, foram gradualmente tomadas pelas cores verde e amarelo. A população, com rostos pintados, vestindo camisetas personalizadas e portando bandeiras, apitos e vuvuzelas, demonstrava sua indignação e se aglomerava, crescendo a cada minuto. Às 10h30 da manhã, ao som do Hino Nacional, o percurso teve início em direção às avenidas 9 de Julho e Independência.
Entre os manifestantes, pessoas de todas as idades, muitas acompanhadas de suas famílias. André, de Sertãozinho, protestou pela manhã em Ribeirão Preto e à tarde em sua cidade. Segundo ele, o objetivo era aumentar o volume da manifestação em Sertãozinho para pressionar por mudanças rápidas. André destacou a importância de investir o dinheiro desviado da Lava Jato nas usinas do Brasil, especialmente em Sertãozinho, uma cidade que depende da indústria sucroalcooleira e que enfrenta alto desemprego.
A Voz das Famílias
A presença de famílias era notável, inclusive com carrinhos de bebê. Carla Lopes levou seu filho de apenas 7 meses, que já havia participado de outras manifestações. Para ela, é fundamental lutar por um país melhor para seus filhos e ensiná-los desde cedo sobre ética e honestidade.
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Indignação Amplificada
O barulho aumentava à medida que a manhã avançava. Márcio Matos contribuiu com uma vuvuzela eletrônica potente, alimentada por uma bateria de carro e transportada em um carrinho. Seu objetivo era expressar o descontentamento popular com a política atual e incentivar as pessoas a se indignarem com os problemas do Brasil.
O Impacto da Corrupção
A indignação era o sentimento predominante. Regional do Road Chip Junior, que chamou a atenção por estar de bicicleta com o filho, revelou estar desempregado e sobrevivendo como autônomo. Formado em engenharia, ele perdeu o emprego devido à corrupção na Petrobras, que cancelou projetos e gerou milhares de demissões.
O Clamor por Mudança
Joy Rebet, um dos organizadores do protesto, afirmou que o objetivo principal era a saída de Dilma e do PT, considerados os grandes males do Brasil. Segundo ele, o governo do PT criou falsas promessas e persegue outros objetivos. Pessoas com cadeiras de rodas também participaram, e o pai de um adolescente cadeirante expressou sua indignação e o desejo de garantir um futuro melhor para o filho, com mais dignidade e menos corrupção.
Por volta do meio-dia, os manifestantes chegaram à avenida 9 de Julho com Independência, animados por trios elétricos e músicas de protesto. Quase 20 jipes lideraram a marcha, em meio a faixas e cartazes contra a presidente Dilma. O protesto, pacífico, reuniu cerca de 45 mil pessoas, de acordo com os organizadores.
Marcos Espínula, um dos líderes do movimento Brasil Limpo, expressou satisfação com o resultado e a esperança de que a manifestação conscientize o governo e devolva o país à dignidade. Cláudia Junqueira, outra manifestante, avaliou o evento como nota 10, destacando a organização, o caráter pacífico e a demonstração clara de insatisfação com o governo. A Polícia Militar, por sua vez, estimou a presença de 40 mil manifestantes e registrou apenas duas ocorrências leves.
O tenente-coronel Renato Alves ressaltou que o protesto foi um sucesso, assim como as manifestações anteriores em Ribeirão Preto. Ele mencionou que uma mulher de 80 anos passou mal devido ao calor e foi socorrida, e que uma pessoa colocou uma bandeira de um partido em um prédio, gerando protestos pacíficos. A Polícia Militar garantiu a segurança de todos.
O evento refletiu um desejo por transformações e um futuro mais justo.



