Cientista política Bruno Silva faz um balanço do ano e fala da influência do ‘Centrão’ na força política do país
O ano de 2023 no Congresso Nacional foi marcado por uma complexa relação entre os poderes Executivo e Legislativo. A reeleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara e de Rodrigo Pacheco para o Senado influenciou significativamente a dinâmica política.
O Centrão e a Agenda Econômica
Lira, líder do chamado "Centrão", um bloco de parlamentares com forte interesse em emendas orçamentárias, negociou com o governo Lula. Essa articulação resultou na aprovação de reformas importantes, como a tributária e o novo arcabouço fiscal, substituindo o teto de gastos. Apesar da colaboração na agenda econômica, o governo teve que ceder em diversas ocasiões para garantir a aprovação dessas medidas, arcando com um custo político elevado.
Desafios e Obstáculos
Apesar da cooperação na área econômica, o Congresso apresentou resistência a pautas consideradas identitárias, prioritárias para o governo Lula. Diversos vetos presidenciais foram derrubados, e projetos de lei que visam modificar decisões monocráticas do STF foram apresentados, sinalizando um aumento do conflito entre os poderes. Questões como a reforma do ensino médio e a definição da união estável como afetiva geraram embates acirrados.
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Perspectivas para 2024
O ano de 2024, próximo às eleições municipais, promete ser desafiador. A expectativa é de aumento de gastos por parte do Congresso, criando um dilema para o governo, que precisará equilibrar as demandas políticas com as metas fiscais. A reforma do ensino médio, a agenda econômica e a segurança pública devem ser temas centrais de debate. A necessidade de articulação política poderá levar a novas reformas ministeriais para acomodar aliados do governo.