Luís Roberto Barroso comparou o voto auditável aos objetos; professor Luiz Puntel comenta na coluna ‘Oficina de Palavras’
Nesta semana, o ministro Barroso, em reunião do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), utilizou a expressão “abandonar o computador e regredir à má caneta de escrever e caneta de inteiro”, suscitando reflexões sobre o significado dessas palavras no contexto atual.
Má caneta de escrever
A expressão “má caneta de escrever” remete a uma época anterior à informática, quando a escrita à mão era predominante. A imagem evoca a dificuldade e a lentidão inerentes à escrita manual, contrastando com a rapidez e eficiência dos meios digitais. Para o ministro, a expressão simboliza um retrocesso em relação à modernidade e praticidade da tecnologia.
Caneta de inteiro
Já “caneta de inteiro” se refere a canetas de alta qualidade, como a Parker 51, objetos de desejo e status em épocas passadas. A menção à Parker 51, inclusive, traz à tona a memória afetiva de muitas pessoas que se recordam do prestígio e da sofisticação associados a essas canetas. O uso da caneta, nesse contexto, transcende a mera função de escrita, representando elegância e tradição.
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O significado contemporâneo
As expressões, embora aparentemente simples, carregam um significado rico e multifacetado. No contexto do discurso do ministro Barroso, elas servem como metáforas para o debate sobre os métodos de contagem de votos e a importância da tecnologia na modernização dos processos eleitorais. A comparação entre a praticidade da tecnologia e a lentidão da escrita manual evidencia a necessidade de avanços tecnológicos para garantir a eficiência e a transparência do sistema eleitoral. A referência à caneta Parker 51, por sua vez, adiciona uma camada de simbolismo, destacando a importância da precisão e da confiabilidade nos processos eleitorais.