Máquina do tempo na Amazônia revela como será o clima do planeta em 2060
A Amazônia, vital para o equilíbrio climático global, é palco de um experimento científico inovador que busca desvendar os impactos futuros das mudanças climáticas. Conhecido como AmazonFACE, o projeto representa um esforço conjunto de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com financiamento do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil e do governo britânico.
O que é o AmazonFACE?
O AmazonFACE (Amazon Free-Air CO2 Enrichment) é o maior experimento de ecologia tropical do planeta, localizado a 100 quilômetros de Manaus, no Amazonas. A estrutura consiste em seis círculos gigantes, cada um formado por 16 torres de 35 metros de altura e 30 metros de diâmetro. Essas torres liberam dióxido de carbono (CO2) para simular as condições climáticas previstas para 2060, permitindo que os cientistas observem como a floresta reage a um ambiente com o dobro da concentração atual de CO2 na atmosfera.
A Importância da Amazônia e os Rios Voadores
Carlos Alberto Quesada, coordenador científico do AmazonFACE pelo INPA, destaca a influência da Amazônia na vida cotidiana de todos, mesmo para aqueles que estão distantes. A floresta é responsável pela produção de 30% a 50% das chuvas que ocorrem no sul do país, através dos chamados “rios voadores” – a umidade que evapora das árvores e alimenta a formação de nuvens. Essas chuvas são essenciais para a agricultura, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de água.
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Testando o Futuro da Floresta
O objetivo principal do AmazonFACE é entender como o aumento do CO2 na atmosfera afetará o funcionamento da floresta amazônica e seus processos benéficos para a sociedade. Ao expor a vegetação a níveis elevados de CO2, os pesquisadores podem testar experimentalmente o que acontecerá com a floresta no futuro e avaliar sua capacidade de resistir às mudanças climáticas.
O AmazonFACE, cujas primeiras conversas se iniciaram em 2011 e com impulso maior a partir de 2020, está programado para iniciar suas operações em 2026. Os resultados obtidos serão cruciais para a formulação de estratégias de conservação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas na Amazônia e em todo o planeta.



