Evento, que acontece neste sábado (24), foi criticado pelo presidente da Câmara Isaac Antunes; Bruno Silva comenta
A marcha da maconha está programada para acontecer neste sábado na Esplanada do Teatro Pedro II, Marcha da Maconha divide opiniões e, em Ribeirão Preto. O evento tem gerado polêmica e dividido opiniões, inclusive entre os vereadores da Câmara Municipal.
Posição contrária à realização do evento
O presidente da Casa de Leis, Marcha da Maconha divide opiniões e, vereador Isaac Antunes (PL), manifestou-se contra a realização da marcha, classificando-a como uma apologia ao uso de drogas. Em entrevista, ele afirmou:
“Fiquei abismado ao acompanhar fotos e vídeos das edições anteriores da marcha da maconha aqui em Ribeirão Preto, é uma pouca vergonha. O que mais me chocou foi a presença de crianças em um evento que claramente faz apologia ao uso de drogas. Inadmissível normalizar esse tipo de conteúdo diante dos nossos jovens.”
Isaac Antunes declarou que irá acionar os órgãos de fiscalização e controle do município para que sejam tomadas providências e também cobrará da prefeitura a verificação das licenças e requisitos para a realização da manifestação. Ele ressaltou que o local do evento, em frente ao Teatro Pedro II, é um cartão postal da cidade e que a liberdade de expressão não pode ser usada como escudo para irresponsabilidade.
Defesa da descriminalização e ampliação do debate: Por outro lado, a vereadora Duda (PT) defende a descriminalização do uso da maconha e destaca a necessidade de ampliar a discussão sobre o tema, evitando o senso comum. Em Brasília, diante do Supremo Tribunal Federal, ela comentou:
“A decisão histórica de descriminalizar o porte de maconha para uso pessoal não é apenas sobre o uso da droga, mas sobre racismo e justiça social. A guerra às drogas é uma guerra contra o povo preto e periférico, um sistema que prende, persegue e mata e que não resolveu nada, só aprofundou a violência e fortaleceu o tráfico.”
Duda ressaltou que a legalização é um passo fundamental para enfrentar o tráfico, retirar o poder das mãos do crime e trazer o debate para a esfera da saúde pública. Ela também destacou que a luta ocorre não só nos tribunais, mas nas ruas, nos territórios e nos coletivos, mencionando que a marcha deste sábado marca 10 anos de resistência e coragem.
Análise do cientista político Bruno Silva
O cientista político Bruno Silva comentou que o tema divide opiniões, especialmente por envolver valores morais, éticos e religiosos presentes na sociedade e entre os atores políticos. Ele afirmou que a liberdade de expressão deve ser exercida com responsabilidade, concordando com o vereador Isaac Antunes nesse ponto.
Bruno destacou avanços na pesquisa sobre cannabis medicinal e a elaboração de legislações locais para regulamentar seu uso, mas ressaltou que o debate público muitas vezes é influenciado por visões ideológicas. Ele afirmou que os malefícios das drogas são reconhecidos, mas que o combate atual às drogas não é efetivo e é direcionado principalmente às populações periféricas, enquanto usuários de maior poder aquisitivo são menos punidos.
O cientista político defende um debate mais equilibrado e responsável sobre políticas públicas relacionadas às drogas, ressaltando a importância de discutir o impacto social, a manutenção do crime e o sistema penal, sem preconceitos ou revanchismos.