Apesar da confissão, advogada garante que o dinheiro não era de propina
Em mais um dia de depoimentos no âmbito da Operação Sevandija, Maria Azulili Brande prestou esclarecimentos à Justiça sobre as denúncias de fraude e pagamento de propina em Ribeirão Preto. A ex-advogada do sindicato dos servidores confirmou repasses de dinheiro para Darci Vera, Sandro Rouvani e Wagner Rodrigues, mas negou veementemente que se tratasse de propina.
Empréstimos ou Propina?
Brande afirmou que os valores repassados a Darci Vera, entre 2015 e 2016, configuravam empréstimos que ultrapassaram R$ 100 mil, mas que não foram pagos até hoje. Ela alegou emprestar dinheiro para diversos funcionários da prefeitura, justificando que todos sabiam de seus altos rendimentos advindos dos honorários advocatícios. Quanto aos pagamentos a Sandro Rouvani e Wagner Rodrigues, Brande explicou que repassava R$ 200 mil mensais ao sindicato dos servidores. Segundo ela, esse valor se referia a uma dívida antiga do sindicato com ela, referente a um contrato onde deveria repassar 30% das ações, e que o pagamento foi feito para evitar represálias de Wagner Rodrigues, que publicamente se opunha aos honorários.
Outros Envolvidos e Anotações
Brande também detalhou pagamentos ao advogado André Renz, contratado para trabalhar em dois processos após sua saída do sindicato, e afirmou pagar cerca de 20% dos honorários recebidos a ele. Sobre Marco Antônio dos Santos, secretário da administração, Brande negou qualquer contato ou repasse de dinheiro, embora tenha ouvido Sandro Rouvani mencionar a necessidade de repassar parte do dinheiro do acordo com o sindicato a ele. Por fim, Brande alegou desconhecer as anotações apreendidas pela Polícia Federal em seu escritório, afirmando que foram feitas após a Operação Sevandija e que não se tratavam da contabilidade de propina. Seu interrogatório foi dividido em duas partes, com a próxima sessão marcada para 5 de dezembro.
Leia também
O depoimento de Maria Azulili Brande trouxe novas informações sobre o caso, mas deixou muitas questões em aberto. A circulação de grandes somas de dinheiro é inegável, e a Justiça terá que analisar minuciosamente as provas apresentadas para determinar se houve ou não desvio de recursos públicos. A expectativa atrásra se volta para os próximos depoimentos, incluindo o de Marco Antônio dos Santos e outros réus, previstos para esta semana.



