Filósofo conversou com a reportagem da CBN Ribeirão
O filósofo e professor Mário Sérgio Cortella participou neste domingo de uma conferência na Feira do Livro, Mário Sérgio Cortella participa da Feira do Livro em Ribeirão Preto, realizada no Teatro Pedro II, que estava lotado. Durante sua fala, Cortella citou uma regra beneditina que proíbe resmungar, ou seja, reclamar sem agir, e destacou a importância dessa postura para enfrentar os desafios sociais do Brasil, incluindo a violência.
Segundo Cortella, desistir diante das dificuldades representa a verdadeira impossibilidade. Para ele, a capacidade de não admitir o impossível no cotidiano é fundamental para avançar em questões relacionadas à família, ao trabalho, à economia e à sociedade como um todo.
“É difícil, mas não é impossível. A impossibilidade seria nossa desistência frente ao que tem que ser feito. Em relação à família, ao trabalho, à economia, à sociedade, como um todo.”
O filósofo ressaltou que o ponto de partida para essa mudança de atitude está na consciência coletiva, substituindo o lema individualista “cada um por si, e Deus por todos” pelo princípio solidário “um por todos e todos por um”.
Mário Sérgio Cortella é professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e já atuou como secretário estadual de educação. É conhecido por sua habilidade em traduzir temas complexos para o público geral e por suas opiniões firmes em debates polêmicos, como a redução da maioridade penal.
Sobre esse tema, Cortella afirmou que é necessário discutir os modos de operação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), mas posicionou-se contra alterações imediatas na maioridade penal. Ele destacou que o problema central está na impunidade, independentemente da idade em que o crime é cometido, e que o foco deve ser a eficácia das punições.
“Eu acho que a gente tem que discutir alguns modos de operação do Estatuto da Criança e do Adolescente, mas eu sou contrário, neste momento, a que se faça uma alteração. A questão séria hoje é punidade ou impunidade. Tanto faz a idade em que isso vai aparecer. O modo da punição é que tem que ser discutido em vez de simplesmente mexer em algo que significa, na prática, em vez de levantar a ponte, abaixar o rio.”
Além de sua atuação acadêmica e na gestão pública, Cortella é colunista da CBN e participa diariamente do programa Academia CBN, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 6h30 da manhã.
Importância da atitude positiva: Cortella enfatiza que a postura ativa e a decisão de agir são essenciais para superar os desafios sociais e pessoais. Ele critica o hábito de resmungar, apontando que reclamar sem buscar soluções é uma atitude improdutiva que não contribui para a resolução dos problemas enfrentados pelo país.
Crítica ao resmungo: A regra beneditina mencionada pelo filósofo reforça a ideia de que o resmungo, ou seja, a reclamação passiva, não deve ser um comportamento adotado diante das dificuldades. Para Cortella, é necessário assumir uma postura proativa e colaborativa para promover mudanças efetivas.
Visão sobre a maioridade penal
O filósofo defende que o debate sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente deve continuar, mas alerta para a necessidade de focar na aplicação eficaz das punições, independentemente da idade do infrator. Ele se posiciona contra a redução imediata da maioridade penal, destacando que a questão da impunidade é mais relevante do que a idade em si.
Atuação pública e comunicação: Além de sua carreira acadêmica, Cortella tem uma presença constante na mídia, especialmente na CBN, onde contribui como colunista e apresenta o programa Academia CBN. Sua atuação pública é marcada pela busca de diálogo e reflexão sobre temas sociais, educacionais e éticos.
Entenda melhor
A regra beneditina citada por Mário Sérgio Cortella enfatiza a importância de agir positivamente em vez de apenas reclamar diante das dificuldades. Essa orientação busca incentivar uma postura de responsabilidade e colaboração para enfrentar os desafios coletivos.



