Objetivo é mostrar o modelo criterioso de produção e provar que a proteína é de qualidade; ouça o ‘CBN Agronegócio’
Uma iniciativa que busca consolidar a marca da carne brasileira no exterior vem ganhando espaço nas conversas do setor agropecuário. Em entrevista no CBN Agronegócio, especialistas compararam a ação atual com estratégias bem-sucedidas aplicadas ao algodão, que ajudaram o produto nacional a se destacar como fibra natural sustentável e diferenciada no mercado internacional.
Estratégia de marca e alcance internacional
Segundo José Carlos de Lima Júnior, a proposta em discussão tem como objetivo internacionalizar a carne brasileira por meio de ações de marketing coordenadas pelo Instituto Mato‑grossense da Carne. A ideia é promover não apenas as qualidades sensoriais do produto, mas também o modelo de produção, baseado predominantemente no manejo a campo, como um diferencial competitivo.
Os interlocutores destacaram que, historicamente, o Brasil concentrou esforços na produção e menos na promoção dos produtos. Por isso, iniciativas de construção de marca — semelhantes às adotadas para o algodão — são vistas como essenciais para ampliar o valor agregado das exportações e melhorar a percepção externa sobre a pecuária brasileira.
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Passaporte verde: carbono, manejo e certificação
Uma das frentes apontadas é o chamado “passaporte verde”, estratégia que considera o balanço de carbono da atividade pecuária. A proposta envolve mensurar emissões e práticas de manejo para apresentar ao mercado internacional um produto com rastreabilidade ambiental e preocupação social e econômica, alinhando-se às exigências crescentes por sustentabilidade.
Além disso, falou‑se da importância de selos e certificações que comprovem essas práticas, bem como do papel fiscalizador do Ministério da Agricultura em fortalecer a confiança externa sobre a origem e a qualidade da carne produzida no país.
Benefícios para produtores e para a imagem do país
Os especialistas ressaltaram que, embora o Instituto Mato‑grossense da Carne lidere o projeto, os benefícios tendem a se estender a produtores de outros estados. A consolidação de uma marca nacional para alimentos pode elevar a competitividade dos produtores brasileiros, ao agregar valor ao produto antes destinado apenas ao volume de exportação.
Também foi mencionado o papel de frigoríficos exportadores em regiões como Ribeirão Preto, Jaboticabal e outras cidades do interior, que já mantêm contato com mercados externos e podem ser impactados positivamente por campanhas que melhorem a imagem da carne brasileira.
Produtores, entidades do setor e autoridades observam o andamento da iniciativa com expectativa, na tentativa de transformar esforços de comunicação e certificação em mais demanda e melhores preços para a carne produzida no Brasil.