Falta de suporte para realizar as manutenções e persistência em manter aeronaves com problemas em uso, são alguns dos relatos
Denúncias feitas por um ex-funcionário da Voepás e mensagens recuperadas do celular do copiloto trouxeram à tona problemas nas aeronaves e na conduta da companhia aérea, Mecânico da Voepass denuncia problemas na, que teve suas operações suspensas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na semana passada.
Os aviões da empresa estão estacionados em um terreno no aeroporto Leite Lopes, Mecânico da Voepass denuncia problemas na, em Ribeirão Preto, onde peças são retiradas de aeronaves paradas para serem usadas em outras em operação, prática que, segundo o mecânico ouvido, é feita de forma irregular. Proprietários que arrendavam aeronaves para a Voepás confirmaram a retirada indevida de componentes essenciais, incluindo motores, em pedidos judiciais de reintegração de posse.
O acidente aéreo ocorrido em 9 de atrássto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, motivou a investigação do Centro de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O relatório preliminar apontou que a aeronave acumulou gelo durante o voo e não adotou as medidas recomendadas para sua remoção, além de falhas nos sistemas de expulsão de gelo, o que levou à perda de sustentação e à queda.
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Mensagens do copiloto Humberto Alencar, recuperadas após o acidente, indicam preocupações com a condição da frota, mencionando aviões “fadigados” e a necessidade de modernização. Após o acidente, a Anac iniciou uma “operação assistida” na Voepás, determinando correções como reforço da frota com aeronaves reservas, redução do número de aeronaves em operação e substituição de funcionários. No entanto, a agência avaliou que a empresa não cumpriu essas medidas, resultando na suspensão das operações.
Denúncias de manutenção e irregularidades: O mecânico, que pediu para não ser identificado, relatou falta de suporte da empresa para a manutenção, incluindo ausência de materiais, componentes e ferramentas adequadas. Ele afirmou que a empresa insistia para que aviões com problemas fossem mantidos em operação, apesar dos relatos de falhas constantes.
Além disso, aeronaves encontradas cobertas por lonas no terreno em Ribeirão Preto teriam sido escondidas da fiscalização da Anac para evitar a constatação da falta de componentes essenciais.
Posicionamento da Voepás e da Anac: Em nota, a Voepás afirmou que pretende retomar as operações o mais rápido possível e que, durante seus 30 anos de atividade, a segurança sempre foi prioridade. A empresa destacou que o relatório preliminar do Cenipa confirmou que a aeronave envolvida no acidente possuía certificação válida e que todos os sistemas estavam operando. A companhia também defendeu que a reutilização de peças entre aeronaves é legal e que segue todos os protocolos obrigatórios, negando irregularidades e afirmando que nunca burlarou fiscalizações.
O diretor-presidente da Anac, Roberto Honorato, explicou que a suspensão das operações foi baseada na degradação do sistema de gestão de segurança operacional da empresa. Ele ressaltou que não é possível afirmar, neste momento, relação direta entre as condições que levaram à suspensão e o acidente, que ainda está sob investigação do Cenipa.
Repercussão e expectativas das vítimas
A associação das vítimas lamentou que a Anac não tenha tomado medidas antes do acidente e aguarda a decisão final da agência e as conclusões da Polícia Federal. Familiares buscam justiça e a verdade sobre as causas do acidente, para evitar novas tragédias.
Entenda melhor
O acidente com o ATR prefixo Papa Bravo ocorreu durante a aproximação em Vinhedo, quando a aeronave perdeu sustentação após falhas no sistema de remoção de gelo. A investigação está em andamento, e a Anac suspendeu as operações da Voepás por falhas na gestão de segurança e manutenção.



